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sábado, 9 de maio de 2026

THE NICE ( Keith Emerson e o Pré- Emerson ,Lake and palmer)

Título: The Nice: EL&P Amyr Cantusio Jr/ 2001 Do envenenado ano de 1967 emanou psicodélia, mutações, incrementações bizarras e insurreições radicais no rock. Em 1967 também surge deste turbilhão o fenomenal virtuose, tecladista  de mão cheia, Keith Emerson e seu grupo  avant-garde, The Nice. No começo eram quatro rapazes com um som pra lá de ousado e experimental, que até hoje soa avançado e não pode ser assimilado sem uma pré-iniciação musical. Para compreender o The Nice é necessário, antes de mais nada, uma cultura musical na área do erudito tradicional e contemporâneo, e na área do jazz e blues. Tudo isso era misturado com muita garra, criatividade e pompa, fazendo do The Nice um grupo pioneiro. O Deep Purple começaria da mesma forma e na mesma época, mas o The Nice era mais radical e erudito. Aliás, o maestro Jon Lord foi professor de harmonia de Keith Emerson. O The Nice ficou famoso pela formação power-trio: teclados, baixo e bateria. O primeiro LP, lançado em 1967, reunia o guitarrista David O’List, o estupendo e virtuose batera Brian Davison e o fenomenal baixista e vocalista Lee Jackson. Além, é claro, do mentor  Keith Emerson. Este primeiro trabalho é ótimo, com tendências mais ácidas e progressivas por causa da presença da guitarra de O’List, que muda muito a expressão musical de forma geral. Com a saída deste ótimo guitarrista, a banda consagrou a formação de trio para a posteridade, criando  mais quatro álbuns arrasadores, que marcariam toda uma parte da história do rock. A música do The Nice é eclética. Suas composições têm geralmente cerca de 10 a 15 minutos de duração e são baseadas no órgão hammond, piano acústico (inigualáveis até hoje), batera e baixo com divisões e intervenções jazzísticas precisas e convenções incríveis. Música muito difícil de se compor, de ensaiar e de se executar, pois exige uma enorme formação musical. Emerson toca J.S. Bach, Sibelius ou Beethoven tão bem quanto Scott Joplin, ragtimes e blues. Além do mais, para tecladistas o cara é uma escola referencial, principalmente em relação aos abusos sonoros que ele tira do órgão hammond B-3. No piano o homem é preciso, com uma técnica limpíssima de cair o queixo. O The Nice seria pioneiro de uma era, que daria ao mundo o futuro Emerson, Lake and Palmer. Iniciaria uma série de outros imitadores de nível, ou seja, uma nova escola dentro do rock como Vincent Crane (Atomic Rooster), Triunvirat, Tritonus, Epidaurus, U.K., etc. O The Nice traria inspirações ao King Crimson, de onde toda uma escola de músicos saiu para arrasar nos anos 70, incluindo o baixista Greg Lake, que faz os vocais e cordas no primeiro disco do grupo, In The Court Of The Crimson King. Lake  estreou com o Emerson, Lake and Palmer  no Festival da Ilha de Wight em agosto de 1970. Cito aqui a título de pesquisa obrigatória aos interessados, os álbuns essenciais do grupo The Nice: The Throughts of Emerlist Davjack (1967) Ars Longa Vita Brevis (1968) The Nice (1969) Five Bridges Suite (1970) Elegy (1971)
Na realidade, o trabalho desenvolvido pelo The Nice nem seria igualado ao próprio posterior ELP, apesar das comparações inevitáveis. O ELP seria mais bombástico, e Keith Emerson lançaria mão de moogs e sintetizadores mais agressivos, com menos inserções jazzísticas e mais rock. O The Nice é mais purista, na raça e numa época em que inovações eram uma grande maestria e risco para os produtores, tanto que numa das apresentações do grupo, a indiferença foi tanta que Emerson estourou literalmente uma bomba no palco para o povo prestar atenção no som da banda. Portanto, sempre foi difícil a inserção da grande arte nas massas, pois a voz das massas nunca foi a voz de Deus.

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