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sábado, 9 de maio de 2026

O LADO OCULTO DA LUA ( Pink Floyd & Led Zeppelin)

O título desta matéria tem como autor Roger Waters [mentor, vocalista e baixista do Pink Floyd]. Após a loucura e saída de Sid Barret [R.I.P.], Waters assumiu a maior parte das composições e letras da banda. E numa entrevista da época, disse a um repórter: “Só os loucos podem ver o lado oculto da Lua”. Esta frase foi como um koan zen [pequena frase que é colocada para um monge refletir e alcançar a iluminação] na minha mente! No disco The Wall [o máximo da metafísica floydiana], Waters coloca na música “Hey You”: “Ei você, aí fora do muro; Quebrando garrafas no corredor; Você pode me ajudar? Ei você, não me diga que não há nenhuma esperança; Juntos nós resistimos, separados nós caímos...” O existencialismo foi a tônica marcante do rock nos anos 60 e 70 e enfatizo isso sempre, pois é história. E das boas! Em “No Quarter” [Led Zeppelin] Plant e Page homenageiam Aleister Crowley como o “Senhor das Bestas e das Sombras”: “Andando lado a lado com a morte; O Mal ridiculariza cada passo; A neve trás de volta o pé que é lento; Os cães da destruição uivam mais...; Eles trazem notícias que precisam chegar; Para construir um sonho pra mim e pra você; Eles escolhem o caminho que ninguém vai...”. Em “A National Acrobat” [Black Sabbath], Ozzy coloca toda sua veia poética. Esta é uma das mais belas músicas do grupo: “Bem, eu sei que é difícil você saber da razão; Eu sei que você vai entender mais quando for a hora de morrer; Não acredite que a vida que você vai ter será somente uma; Você tem que deixar seu corpo dormir para sua alma viver; O amor te deu a vida, e agora isso te afeta; E os olhos cegados pela própria existência, farão tua alma voltar...”. Ainda com Ozzy em “Symptom Of The Universe” [Black Sabbath]: “Leve-me através dos séculos para os anos supersônicos; Eletrificado, o inimigo está afogando nas próprias lágrimas; Tudo que tenho para te dar é um amor que nunca morre; O Sintoma do Universo está escrito em seus olhos...” Como já deu pra sentir, pergunto ao caro leitor onde encontramos letras desta estrutura no rock atual? Com certeza há exceções, mas hoje as bandas preocupam-se mais com a forma do que com o conteúdo. Isso quando não escrevem “qualquer” letra só pra combinar com a melodia. Temos ainda o grande poeta John Lennon, com a música “Zé Ninguém” [“Nowhere Man”]: “Ele é realmente um Zé Ninguém, sentado na sua terra de lugar nenhum; Fazendo seus planos de lugar nenhum pra ninguém; Não tem ponto de vista, não sabe pra onde vai...; Será que ele não tem um pouco de você e eu?” Eu poderia aqui escrever a Bíblia das Letras no Rock, tão grande e vasto este manancial maravilhoso que permeia o estilo de música mais famoso do mundo. São cascatas de letras que vão desde frases cortantes até profundas odes líricas, como são as letras do Yes, Genesis e King Crimson. Cito algumas frases de Robert Fripp & Sinfield em letras soltas: “Ninguém fala comigo, por isso eu falo com o vento” - [“I Talk To The Wind! – primeiro LP do King Crimson, em 1969]. Fripp detonaria ainda uma boa resposta a um repórter sobre sua música ser muito “viagem” e “cerebral”: “Eu faço música para cabeças e corações, não para pés e intestinos.” Para finalizar, deixo aos leitores o sabor da pesquisa. Sugiro que busquem por si próprios a rara beleza e veia poética que está altamente inserida no rock de todos os tempos. “O perigo de se gritar para o Abismo é Ele te responder de volta” – William Blake.

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