B.R.I.O.(Brasilian Rock in Opposition)
BLOG de Rock Progressivo do Projeto ALPHA III(Amyr Cantusio Jr) ,música eletronica, experimental e erudita de vanguarda.Links de CDS raros,matérias sobre filosofia oriental,artigos de ocultismo.O intuito é disponibilizar às pessoas a existência de trabalhos de músicos do mundo todo.Rock In Opposition é uma esquerda ARTÍSTICA contra a MEDIOCRIDADE E BAIXO NÍVEL de todo o Veículo de Comunicação Social .
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sábado, 9 de maio de 2026
O LADO OCULTO DA LUA ( Pink Floyd & Led Zeppelin)
O título desta matéria tem como autor Roger Waters [mentor, vocalista e baixista do Pink Floyd]. Após a loucura e saída de Sid Barret [R.I.P.], Waters assumiu a maior parte das composições e letras da banda. E numa entrevista da época, disse a um repórter: “Só os loucos podem ver o lado oculto da Lua”. Esta frase foi como um koan zen [pequena frase que é colocada para um monge refletir e alcançar a iluminação] na minha mente!
No disco The Wall [o máximo da metafísica floydiana], Waters coloca na música “Hey You”: “Ei você, aí fora do muro; Quebrando garrafas no corredor; Você pode me ajudar? Ei você, não me diga que não há nenhuma esperança; Juntos nós resistimos, separados nós caímos...”
O existencialismo foi a tônica marcante do rock nos anos 60 e 70 e enfatizo isso sempre, pois é história. E das boas! Em “No Quarter” [Led Zeppelin] Plant e Page homenageiam Aleister Crowley como o “Senhor das Bestas e das Sombras”: “Andando lado a lado com a morte; O Mal ridiculariza cada passo; A neve trás de volta o pé que é lento; Os cães da destruição uivam mais...; Eles trazem notícias que precisam chegar; Para construir um sonho pra mim e pra você; Eles escolhem o caminho que ninguém vai...”. Em “A National Acrobat” [Black Sabbath], Ozzy coloca toda sua veia poética. Esta é uma das mais belas músicas do grupo: “Bem, eu sei que é difícil você saber da razão; Eu sei que você vai entender mais quando for a hora de morrer; Não acredite que a vida que você vai ter será somente uma; Você tem que deixar seu corpo dormir para sua alma viver; O amor te deu a vida, e agora isso te afeta; E os olhos cegados pela própria existência, farão tua alma voltar...”. Ainda com Ozzy em “Symptom Of The Universe” [Black Sabbath]: “Leve-me através dos séculos para os anos supersônicos; Eletrificado, o inimigo está afogando nas próprias lágrimas; Tudo que tenho para te dar é um amor que nunca morre; O Sintoma do Universo está escrito em seus olhos...”
Como já deu pra sentir, pergunto ao caro leitor onde encontramos letras desta estrutura no rock atual? Com certeza há exceções, mas hoje as bandas preocupam-se mais com a forma do que com o conteúdo. Isso quando não escrevem “qualquer” letra só pra combinar com a melodia.
Temos ainda o grande poeta John Lennon, com a música “Zé Ninguém” [“Nowhere Man”]: “Ele é realmente um Zé Ninguém, sentado na sua terra de lugar nenhum; Fazendo seus planos de lugar nenhum pra ninguém; Não tem ponto de vista, não sabe pra onde vai...; Será que ele não tem um pouco de você e eu?”
Eu poderia aqui escrever a Bíblia das Letras no Rock, tão grande e vasto este manancial maravilhoso que permeia o estilo de música mais famoso do mundo.
São cascatas de letras que vão desde frases cortantes até profundas odes líricas, como são as letras do Yes, Genesis e King Crimson. Cito algumas frases de Robert Fripp & Sinfield em letras soltas: “Ninguém fala comigo, por isso eu falo com o vento” - [“I Talk To The Wind! – primeiro LP do King Crimson, em 1969]. Fripp detonaria ainda uma boa resposta a um repórter sobre sua música ser muito “viagem” e “cerebral”: “Eu faço música para cabeças e corações, não para pés e intestinos.”
Para finalizar, deixo aos leitores o sabor da pesquisa. Sugiro que busquem por si próprios a rara beleza e veia poética que está altamente inserida no rock de todos os tempos.
“O perigo de se gritar para o Abismo é Ele te responder de volta” – William Blake.
Rock, Filosofia & Ocultismo
Apesar de a temática ser debatida esporadicamente e se manter como um tabu no rock, é realmente admirável a quantidade de artistas que dispõem dos acervos e anais do oculto, sobrenatural e filosófico nas suas obras.
Na coluna deste mês, pretendo dar ênfase às bandas do rock que não fazem apenas música pela arte, mas que, de certa forma, chamam a atenção para os fatos espirituais e místicos da existência.
Começando com o aspecto filosófico, temos Lennon e Harrison indo buscar respostas às suas existências vazias na Índia, no meio dos anos 60. Não poderia ignorar tais fatos, já que eles desembocaram nas obras dos Beatles e de toda geração rock dos 70, até recentemente em inúmeras bandas contemporâneas.
A busca pelo sobrenatural e o que estamos fazendo aqui neste planeta isolado rendeu maravilhas na arte. Citamos Woodstock e o Flower Power, com a inclusão de Ravi Shankar (sitars, Índia) nos palcos do rock dando um pontapé espiritual no evento. Idéia de Harrison? Sim!
Em 1971 temos o concerto para Bangladesh que rendeu um álbum fenomenal com a participação de Eric Clapton, Ravi Shankar, Bob Dylan, Harrison, Ringo Star, Badfinger, Leon Russel, entre outros grandes músicos da época. Era para chamar atenção da fome e ao mesmo tempo do espiritualismo hindu, que caminham lado a lado até hoje.
O Led Zeppelin veio com a mística do maior mago do século XX, Aleister Crowley, assim como o Black Sabbath. Letras surrealistas, místicas e anárquicas aliadas à música visceral e profunda. Uriah Heep, Pink Floyd, Genesis, Van Der Graaf Generator, King Crimson e Yes colocariam um misto de metafísica, orientalismo e psicodelia, ingrediente que foi alicerce do movimento progressivo.
Na Europa começava a fervilhar o kraut rock alemão e a música eletrônica liderada pelos místicos Tangerine Dream, Can, Ammon Duul, Grobschnitt, Guru Guru, Embryo, que bebiam nos versos de William Blake, John Milton e Dante Alighieri.
Na França, Inglaterra e Itália, bem como nos Países Baixos, ocorria toda uma renascença do rock, com bandas indo fundo nas temáticas templárias, medievais, folclóricas, arturianas e míticas. Trabalhos surgiam aos montes, com grupos que incluíam os próprios nomes de filósofos em suas capas (Machiavel, Novalis, etc) assim como obras de cunhos tibetanos, hindu e xamânicos inspiradas em textos de Carlos Castañeda, Livro dos Mortos (Tibetano e Egípcio), Rig Veda, Zendavesta, Bíblia e Swedenborg.
Arthur Brown e Vincent Crane (Atomic Rooster) faziam seus rituais macabros em cemitérios. Quem não se lembra de Alice Cooper e Kiss botando o diabólico rock com fogo pelas ventas? Tudo isso seria assimilado pelo futuro black metal e o próprio metal nos anos 80, com bandas abusando das espadas e símbolos arquétipos dos Templários, Dragões e Cruzadas Medievais. Outras mais atuais como Moonspell, Dimmu Borgir, Cradle of Filth, Tiamat, Therion, Samael, Nightwish, Epica, mantém o fogo do mistério em suas obras.
Para encerrar – deixando uma lacuna para reflexão e pesquisa – cito um disco que chamou muito minha atenção pela inóspita pesquisa do autor nesta área: o álbum House Of God (00), de King Diamond, uma obra belíssima e altamente mística!
Resumo a história (verdadeira) que tem como palco a Capela de Rennes Le Chateaux, na França, construída pelos visigodos no século VI. Esta capela é totalmente diferente das outras. Logo na entrada, acima da porta, apresenta-se a figura do demônio Asmodeu e uma frase em latim que diz Terribilis Est Lócus Iste (Este Local é Terrível), bem como no Louvre, que tem a figura do demônio Pazuzu – também na entrada – dizendo se tratar de um ser que se move com o vento. Por quê? Bem, a resposta ficará a critério de cada pesquisador, pois a minha eu já tenho.
Note que todos os telhados e terraços superiores das catedrais são decorados pela escultura de demônios e gárgulas.
O sacerdote Saunière descobriu manuscritos misteriosos na reforma da Capela, dentro das Colunas, talvez o Graal Templário, que o transformou de pobre a um dos mais ricos e poderosos homens do século XIX. Nesta Capela ainda há cruzes invertidas, figuras de Maria Madalena (em posições não convencionais de santas), jardins, torres góticas e um clima altamente sinistro.
Diamond realmente pesquisou e caprichou na temática, e incito a todos interessados no ocultismo e sobrenatural à pesquisa tanto desta obra como a de outros músicos, pois desta forma poderão absorver melhor o que o compositor quis transmitir com sua música.
BLACK SABBATH "Uma Ode Ao Demônio"
BLACK SABBATH - Uma Ode ao Demonio
Iniciando esta coluna mais específica dentro do BLOG, onde abordarei ítens e matérias densas e obscuras relacionadas ao Black Metal, Dark Wave, Industrial Gótico,Thrash & Afins...achei justo começar com o "pioneiro"!!!!
No ano de 1971, quando me deparei com o LP Black Sabbath (1970-o primeiro da banda, com a bruxa do casarão na capa), tinha 14 anos. Já era interessado em ocultismo desde muito cedo. A capa do disco me chamou muito a atenção. Peguei o dito cujo, fui para uma cabine de som (comum na época) na Livraria Brasil de Campinas (que hoje não existe mais), grudei os fones no ouvido e toquei a primeira faixa...
Tive um orgasmo imediato. A chuva, os sinos e a entrada da guitarra e a voz gutural de Ozzy me levaram direto para a Casa de Usher (para quem não conhece, trata-se de uma maravilhosa história sobrenatural do escritor místico Edgar Allan Poe). Na seqüência, a gaita macabra da música "The Wizard" completou minha overdose. Tirei o fone, paguei pelo play e corri para queimar “um” sozinho nos fundos de minha casa. Foi o dia inteiro ouvindo este disco. Eu já estudava piano adiantado em conservatório e tudo aquilo estava fervendo dentro de mim. Missas negras, músicas estranhas, pesadas, cheias de feeling, climas sobrenaturais, enfim, tudo o que eu amava em um som estava naquela bolacha.
O disco saiu no Brasil com capa simples, mas a maravilhosa capa americana era dupla, e tinha uma cruz invertida dentro com um poema de H.P.Lovecraft!!. Lindíssima! Virando o disco para o lado B, esperava que a viagem tivesse acabado, mas era ai que o bicho pegava. Ele começa com uma balada de violão e uma voz gutural seguida de um arregaço de bateria e guitarras (uma jam session com pegadas cruas de jazz). Enfatizo a criatividade e técnica de Tony Iommi, a pesada e criativa pegada de Bill Ward, apoiado pelo baixo demoníaco de Geezer Butler.Este LP é um marco único na virada de cena dos anos 70 mesmo com o Led Zeppelin já 2 anos antes ,estourando nas paradas com um som pesado e fora da psicodelia do peace& love.Segue Paranoid,Volume IV e Master of Reality,uma porrada atrás da outra,sem a banda perder a pegada e mantendo o som “diablo” nas guitarras de Iommi.
Surgiam muitos rumores sobre a banda na época. Uma das histórias confirmadas era de que em um show do Black Sabbath na Inglaterra, um grupo de satanistas preparou atrás do palco um "bolo de bruxas" e uma missa negra com tudo que se tem direito. Iommi (um adepto das "artes negras"), mais instruído, deixou a bola rolar. Já o Ozzy, chapado pra variar, foi brincar com a turma lá atrás. Ele resolveu sacanear apagando as "velinhas" do bolo. Conclusão: hospital com internamento psicótico (possessão), inchaço, etc. É o que acontece com desavisados que chegam próximos a um banquete do demônio.
As capas dos discos passavam-nos uma impressão totalmente sobrenatural, que os diferenciavam das outras bandas. Sabbath Bloody Sabbath e Sabotage estão banhados pela bruxaria e são obras primas ,mantendo uma atmosfera sinistra e sui generis.Por mais que os quatro integrantes neguem sua dita "influência satânica", eu me recuso a acreditar que eles não se enfiaram até o fundo em assuntos ligados ao ocultismo. Tudo na música deles é macabro, mesmo as baladas mais formais! Recentemente adquiri o filme de terror-trilogia com Boris Karloff chamado “Black Sabbath” que na realidade foi assistido no final dos anos 60 por G. Buttler,de onde advém o nome do grupo.
É importante também lembrar que eles influenciaram todas as posteriores vertentes do metal, de várias gerações, seja o black metal, gothic, doom, thrash metal, ou qualquer outro segmento do metal.
Impossível ouvir algo parecido nos dias de hoje! No rock nunca ouvi nada semelhante. E isto mesmo quando em comparação com outras bandas que jamais serão igualadas.O Black Sabbath realmente, a começar pelo nome, se diferencia em muito dos outros grupos da época. Algo sem explicações. Seria como um portal musical abrindo para o lado sobrenatural, escuro e gótico do além. Isto é o que sinto quando ouço essa descomunal banda. Após a saída de Ozzy passaram Ronnie James Dio,Glenn Hughes, Ian Gillan e Tony Martin registrando magníficos petardos sonoros, que,apesar das críticas, são obras primas indiscutíveis.Em momentos raros ainda passaram Ray Gillen e Rob Halford (ao vivo)que registraram alguns piratas soltos por ai.
DISCOGRAFIA FASE OZZY:
Black Sabbath, Paranoid, Master of Reality, Vol. 4,Sabbath Bloody Sabbath, Sabotage ,Technical Ecstasy até o último LP, Never Say Die (1979)
DEAD CAN DANCE
Quando os mortos dançam
"DEAD CAN DANCE"
Brendan Perry e Lisa Gerrard formam a coluna vertebral harmoniosa e virtuose deste projeto, que começou com um pé no gótico, porém dentro do rock.
Entretanto, a partir do segundo álbum a pesquisa foi bem mais a fundo, já se tornando a partir do mesmo a marca registrada única que caracterizaria o som da banda: música étnica [folclórica e tribal de variados povos, mais calcada na Ásia e Oriente Médio] associada a elementos medievais europeus e ao rock.
Lisa Gerrard – para mim, a maior voz feminina do século XX – tem uma voz poderosa que vai desde o clássico passando pela ópera, até os movimentos sutis e delineados dos cantos hindus e arábicos. Além do mais, exímia multi-instrumentista, compositora e dona de uma beleza física e espiritual maravilhosa.
Brendan não fica atrás e debulha vários instrumentos, compõe e também possui um timbre vocal poderoso.
A dupla se apóia num grupo de músicos de primeiro time com percussionistas, dois tecladistas e vários multi-instrumentistas em suas apresentações. O único registro disponível oficial ao vivo está no magnífico DVD Toward The Within [04], que apresenta a banda em seu apogeu num show que demonstra toda a versatilidade e originalidade de seus membros. Uma ode espiritual e de profundo bom gosto que agradará aos góticos e aos amantes da música erudita medieval, bem como os fissurados por música étnica, principalmente hindu-arábica.
Infelizmente o grupo se desestruturou, mas Lisa continuou fazendo belos trabalhos na carreira solo como os discos Duality [98], Immortal Memory [04] e Silver Tree [06], que davam continuidade a sonoridade feita pela moça no Dead Can Dance.
Particularmente, considero o álbum The Serpent’s Egg [88] como o melhor trabalho do Dead Can Dance. Sofisticado, profundo e magnífico. Aqui os órgãos de tubo sacros e a voz potente de Lisa impressionam e podem até levar o leitor mais sensível às lágrimas.
Vale lembrar que a trilha sonora do filme Baraka [uma seqüência para este filme chamada Samsara deverá sair ainda neste ano] contém alguns videoclipes do grupo, bem como a lindíssima música “The Hoste Of Seraphim. Curiosidade: este filme foi produzido por Mark Magidson, que também foi o responsável pela produção do disco ao vivo e do DVD Toward The Within, do Dead Can Dance.
Lisa Gerrard ainda fez a trilha sonora do épico de sucesso O Gladiador. A banda registrou nos anos 90 uma passagem pelo Brasil em São Paulo dando seus últimos suspiros, com um show matador.
Infelizmente as coisas belas, bem como [ainda bem] as más e imbecis passam como as ondas do oceano.
Brendan Perry atualmente trabalha nos EUA com um grupo de vanguarda, aliás, maravilhoso chamado Zoar, enquanto Lisa ainda rabisca algumas trilhas sonoras e participações em trabalhos menores que só nos dão saudades do velho Dead.
Os mortos também dançam ouvindo tão maravilhosa música.
GENESIS ( Era Peter Gabriel)
Genesis – Uma viagem além da Imaginação
É gratificante fazer um artigo sobre minha banda predileta e uma das melhores dos anos 70. Quantas vezes não estive deitado numa montanha, naquelas noites mágicas setentistas, embalado, inebriado olhando a lua ao som deste bizarro grupo inglês.
A origem do grupo tem suas raízes em meados de 1966, na Chaterhouse School, Inglaterra, em meio à fusão de duas bandas formadas por alunos dessa escola. Eram adolescentes de 13 anos. A fusão da Garden Wall e do Anon( as duas referidas bandas) deu origem, em 1968, ao grupo Genesis. Em 1969 sairia o primeiro LP da banda, o From Genesis to Revelation. Um LP que só tem valor por ser um item de colecionador, já que a banda ainda não havia desenvolvido uma identidade própria.
Em 1970, com algumas modificações, lançariam a primeira obra prima do grupo, Trespass, onde encontramos a famosa faixa “The Knife”, um hino genesiano, além das belíssimas “Visions of Angels” e “Stagnation”. Este LP ainda não contava com Phil Collins na bateria e Steve Hackett na guitarra, mas o guitarrista clássico Anthony Phillips já traçava os rumos sonoros do grupo.
Com a saída de Anthony Phillips e do baterista John Mayhew( que fez um belo trabalho em Trespass), e a entrada de Collins e Hackett, o Genesis lançaria o fantástico álbum Nursery Cryme, apontado por alguns como o melhor de sua discografia.
Com a formação agora estabilizada – Phill Collins na bateria, Peter Gabriel nos vocais e flautas, Mike Rutherford no baixo e violão de 12 cordas, Steve Hackett nas guitarras e Tony Banks nos teclados – a banda lançaria álbuns históricos, marcando para sempre a década das obras primas. Letras psicodélicas e lisérgicas que mesclavam viagens alucinógenas, mitologia grega, misticismo, ocultismo, contos de Lewis Caroll e metafísica recheavam as orquestrações de rock sinfônico.
Peter Gabriel aparecia nos palcos travestido de raposa, duendes, morcegos, velho corcunda, etc., com sua voz estranha, gutural, ao mesmo tempo em que o grupo segurava uma cama intricada, sinistra e melancólica. Ao fundo do palco, projetavam-se slides lindos como grandes olhos piscando, florestas tenebrosas, duendes, espaços cósmicos, etc.
Amigos, falar destes cinco malucos virtuosos e de seus álbuns é uma tarefa complicada. O melhor mesmo é ouvir músicas eternas como a longa “Suppers Ready” (um lado inteiro do vinil), “Collony of Slippermans”, “Fountain of Salmacis”, “Seven Stones”, “Harold the Barrel”, “Harlequin”, “Selling England by the Pound”, entre tantas outras. Uma loucura, um sonho alucinado.
O Genesis levaria o rock aos extremos do estranho, do paranormal e do surreal, com uma sonoridade fluindo entre o sinfônico, o folk e o melancólico.
Mesmo com a saída do mentor e guru, Peter Gabriel, o Genesis faria mais duas obras indispensáveis, ambas com Collins nos vocais. Seriam elas: A Trick of the Tail e Wind & Wuthering. Após esse último, o mítico guitarrista Steve Hackett sairia da banda, encerrando assim um ciclo, pois o Genesis migraria para o lado dos pavilhões do rock pop.
O grupo chegou a se apresentar no Brasil em 1977 com toda sua formação (menos Peter Gabriel), mas para facilitar o desempenho vocal de Phil Collins (que era o baterista), foi convocado o estupendo baterista Chester Thompson (ex-Zappa). Fui a este show – 80 mil pessoas no Anhembi, em São Paulo/SP – e Collins ainda estava cabeludo e barbudo, e alternava momentos de virtuose na bateria com Chester. Sim, havia duas baterias no palco, ao mesmo tempo, além de um grande jogo de luzes, raios laser e, obviamente, um som fantástico, fazendo deste o maior show de todos os tempos no Brasil, em minha opinião. Pergunte a quem foi e confira os álbuns pra ver se não tenho razão.Além do mais Second's Out teve o lendário Bill Bruford nas baquetas em shows na época, Europa Tour.
Discografia selecionada: Trespass (70); Nursery Cryme (71); Foxtrot (72); Live (73); Selling England by The Pound (74); The Lamb Lies Down On Broadway (duplo - 74); A Trick of The Tail (76); Wind & Wuthering (77); Seconds Out (duplo ao vivo - 77)
Autor:
Amyr Cantusio Jr. é músico, compositor,pianista, teósofo, psicanalista ambiental e historiador de música formado pela extensão universitária da Unicamp.
THE NICE ( Keith Emerson e o Pré- Emerson ,Lake and palmer)
Título:
The Nice: EL&P
Amyr Cantusio Jr/ 2001
Do envenenado ano de 1967 emanou psicodélia, mutações, incrementações bizarras e insurreições radicais no rock. Em 1967 também surge deste turbilhão o fenomenal virtuose, tecladista de mão cheia, Keith Emerson e seu grupo avant-garde, The Nice.
No começo eram quatro rapazes com um som pra lá de ousado e experimental, que até hoje soa avançado e não pode ser assimilado sem uma pré-iniciação musical. Para compreender o The Nice é necessário, antes de mais nada, uma cultura musical na área do erudito tradicional e contemporâneo, e na área do jazz e blues. Tudo isso era misturado com muita garra, criatividade e pompa, fazendo do The Nice um grupo pioneiro.
O Deep Purple começaria da mesma forma e na mesma época, mas o The Nice era mais radical e erudito. Aliás, o maestro Jon Lord foi professor de harmonia de Keith Emerson.
O The Nice ficou famoso pela formação power-trio: teclados, baixo e bateria. O primeiro LP, lançado em 1967, reunia o guitarrista David O’List, o estupendo e virtuose batera Brian Davison e o fenomenal baixista e vocalista Lee Jackson. Além, é claro, do mentor Keith Emerson. Este primeiro trabalho é ótimo, com tendências mais ácidas e progressivas por causa da presença da guitarra de O’List, que muda muito a expressão musical de forma geral. Com a saída deste ótimo guitarrista, a banda consagrou a formação de trio para a posteridade, criando mais quatro álbuns arrasadores, que marcariam toda uma parte da história do rock.
A música do The Nice é eclética. Suas composições têm geralmente cerca de 10 a 15 minutos de duração e são baseadas no órgão hammond, piano acústico (inigualáveis até hoje), batera e baixo com divisões e intervenções jazzísticas precisas e convenções incríveis. Música muito difícil de se compor, de ensaiar e de se executar, pois exige uma enorme formação musical.
Emerson toca J.S. Bach, Sibelius ou Beethoven tão bem quanto Scott Joplin, ragtimes e blues. Além do mais, para tecladistas o cara é uma escola referencial, principalmente em relação aos abusos sonoros que ele tira do órgão hammond B-3. No piano o homem é preciso, com uma técnica limpíssima de cair o queixo.
O The Nice seria pioneiro de uma era, que daria ao mundo o futuro Emerson, Lake and Palmer. Iniciaria uma série de outros imitadores de nível, ou seja, uma nova escola dentro do rock como Vincent Crane (Atomic Rooster), Triunvirat, Tritonus, Epidaurus, U.K., etc. O The Nice traria inspirações ao King Crimson, de onde toda uma escola de músicos saiu para arrasar nos anos 70, incluindo o baixista Greg Lake, que faz os vocais e cordas no primeiro disco do grupo, In The Court Of The Crimson King. Lake estreou com o Emerson, Lake and Palmer no Festival da Ilha de Wight em agosto de 1970.
Cito aqui a título de pesquisa obrigatória aos interessados, os álbuns essenciais do grupo The Nice:
The Throughts of Emerlist Davjack (1967)
Ars Longa Vita Brevis (1968)
The Nice (1969)
Five Bridges Suite (1970)
Elegy (1971)
Na realidade, o trabalho desenvolvido pelo The Nice nem seria igualado ao próprio posterior ELP, apesar das comparações inevitáveis. O ELP seria mais bombástico, e Keith Emerson lançaria mão de moogs e sintetizadores mais agressivos, com menos inserções jazzísticas e mais rock. O The Nice é mais purista, na raça e numa época em que inovações eram uma grande maestria e risco para os produtores, tanto que numa das apresentações do grupo, a indiferença foi tanta que Emerson estourou literalmente uma bomba no palco para o povo prestar atenção no som da banda. Portanto, sempre foi difícil a inserção da grande arte nas massas, pois a voz das massas nunca foi a voz de Deus.
BRIAN ENO
Brian Eno & Electronic Universe
Amyr Cantusio Jr
Demorei um pouco para chegar aqui, nas praias onde as águas do rock se dividem e alçam vôos distantes para outras dimensões do universo estrutural convencional do mesmo.
Brian Eno jamais poderia deixar de ser citado como um dos grandes gurus e mentores de várias bandas ecléticas do rock, seja na área progressiva, experimental ou eletrônica.
Este monstro nasceu no dia 15 de maio de 1948 em Woodbridge, na Inglaterra. Seu verdadeiro, extenso e estranho nome é Brian Peter George St. Jean le Baptiste de la Salle Eno [pasmem!].
Eno se lançou nos dois primeiros LPs do Roxy Music em 1972, criando toda a atmosfera eletrônica e bizarra da banda. Com incompatibilidades com outro mentor e líder, o vocalista Brian Ferry, acabou deixando o grupo.
Um dos grandes lances de Eno foi se juntar ao gênio Robert Fripp [King Crimson] e lançar dois LPs que são indicados somente aos “cabeças abertas”. Em especial o disco No Pussyfooting de 1973.
Eno é especialista em tratamentos eletrônicos, loops de sintetizadores e gravadores de rolo. Também é mestre em realizar atmosferas densas e viajantes. Além disso, Eno deu a idéia a Fripp da criação de sua máquina sintetizada para guitarras denominada de Frippertronics. Fez, inclusive, tratamentos em instrumentos acústicos e sinfônicos, lançando em sua discografia básica [vide no final da matéria] mais de uma dezena de trabalhos fantásticos aos apreciadores de eletrônico, ambient e avant garde music.
Trabalhou com Peter Gabriel dando sugestões na bela música setentista do Genesis; com Pete Sinfield [letrista do King Crimson]; David Bowie; David Byrne [Talking Heads]; James e U2; além do grande projeto eletrônico Cluster & Eno [N.R.: Cluster era um duo formado pelos alemães Moebius e Roedelius] onde lançou vários LPs pela gravadora Sky Music.
Foi um dos pioneiros no que ficou conhecido hoje como world music com o fenomenal disco My Life In The Bush Of Ghosts de 1981, onde Eno faz – com David Byrne – todo um trabalho de guitarras e percussões atmosféricas montado em samplers gravados na Arábia Saudita e África.
Brian Eno, assim como Edgar Froese, Klaus Schulze, Chris Franke, Kitaro, Vangelis, Larry Fast, entre outros, é referencial obrigatório no rock lisérgico experimental, espacial e eletrônico. Segue abaixo algumas recomendações de discos do mestre:
Here Comes The Warm Jets [73]
Taking Tiger Mountain [74]
Another Green World [75]
Discreet Music [75]
Evening Star [com Robert Fripp/75]
Cluster & Eno [77]
Before& After Science [77]
Music For Films [78]
After The Heat [78]
Ambient #1 / Music for Airports [78]
Ambient #2 / The Plateaux Of Mirror [com Harold Budd/80]
Ambient #4 / On Land [82]
Sobre o Autor: Amyr Cantusio Jr. é músico, compositor, antroposofista esotérico, psicanalista ambiental e historiador de música formado pela extensão universitária da Unicamp em Música Erudita de vanguarda.Pianista e Tecladista.
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