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sexta-feira, 5 de junho de 2026

1968: Os 12 Meses que mudaram a História do Rock

O ano é 1968. Por incrível que pareça, um marco grandioso na história do Rock. Justamente quando os Beatles encerram a carreira com o maravilhoso álbum Abbey Road, surgem novas bandas que viriam a ser os maiores nomes do estilo em todos os tempos. Capítulo à parte, os Beatles foram responsáveis por quase todas as vertentes do Rock. Lennon e Harrison sempre estiveram loucamente atrás do sentido existencial da vida. Foram a Índia e lá ficaram por um bom tempo discípulos do mestre Prabhupada, um swami (mestre) que viria a fundar a Ordem dos Hare Krishna no ocidente. Harrison se tornou um profundo devoto desta ordem (Bhakti Yoga) e ajudou o swami a fundar vários templos, tanto na Índia quanto no ocidente, entre eles o grande templo Radha Krshna, na Índia. Harrison incluiu, a partir do LP Revolver, as cítaras, tablas e músicas hindus, que daí por diante teriam papel importante no desenvolvimento da própria banda, além de influenciar diretamente todas as bandas futuras no psicodelismo. Lennon, rebelde e sarcástico, incansável pacifista, procurou um contato mais profundo com o ocultismo, indo bater nas portas do grande mago Aleister Crowley. Este ainda aparece na capa do álbum Sgt. Peppers, mais um grande marco musical da banda. Paul Mcartney sempre foi intelectual, mais materialista e voltado para os arranjos do grupo. E Ringo foi o catalisador. Vide as experimentações da banda no filme clássico, “Let It Be”, onde todos estavam praticamente sob o poder do LSD. Cada uma na sua, mas formando um todo que seria a maravilha da música de Liverpool. Voltando as bandas recém formadas em 1968, temos o vocalista e guitarrista John Fogerty, líder do Creedence Clearwater Revival, banda que fez basicamente sete álbuns inesquecíveis, calcados no Blues, Country e no Rock 'N' Roll básico. Ainda esse ano sai o primeiro álbum estraçalhante do King Crimson, In A Court Of Crimson King, liderado pelo excêntrico guitarrista, Robert Fripp. Foi uma devastação sonora que poucos compreenderam na época. Também debutaram neste ano, o Genesis, com o álbum From Genesis To Revelation, lançando o alicerce do que viria a ser uma das maiores bandas de Progressivo e uma das mais imitadas nos anos 70; o Jethro Tull, com o álbum This Was, tendo a frente o flautista, vocalista, letrista, compositor e violonista, Ian Anderson. Uma banda prolífera, com uma sonoridade única que gerou uma vasta quantidade de álbuns. Temos o Led Zeppelin, do mestre dos vocais, Robert Plant, e do feiticeiro das guitarras, Jimmy Page, lançando o seu primeiro e devastador LP. Sendo ainda que em meios de 1967, já haviam sido lançados álbuns do Yes, Procol Harum, Pink Floyd e The Nice (banda de Keith Emerson, na minha opinião, o maior tecladista da estrada do Rock). Surgia ainda a maravilhosa e eclética banda inglesa Van Der Graaf Generator, liderada pelo maluco Peter Hamill, guitarrista, compositor e tecladista, além de ter os vocais altamente sofisticados. Seu primeiro álbum, Aerosol Grey Machine, é obrigatório. Todas essas bandas mudariam o comportamento social mundial, dando origem ao movimento reacionário dos "hippies", os grandes festivais como o Woodstock e a maior e melhor fase da história do Rock. Não pretendo dar nesta coluna uma ordem cronológica dos acontecimentos, mas sim, alertar aos leitores da enorme quantidade, qualidade e importância que foram os anos 60 e 70 para a arte geral do século XX. Neste período, compreendido entre 67 e 70, brotavam bandas fantásticas, cada uma com sua performance e estilo. Cito ainda a alemã Popol Vuh, os Rolling Stones, Tangerine Dream, Ash Ra Tempel, Traffic, The Monkeys, The Birds, Shocking Blue, Frank Zappa, entre outros que, no decorrer da Universom, falaremos um pouco sobre. O que acontecia neste período era uma competição sadia entre os cabeças das bandas, para ver quem fazia o melhor e mais sofisticado som. Cada dia surgia um novo som que explodia nas rádios, TVs e revistas especializadas. Além do Keith Emerson ter testado o primeiro sintetizador moog para seu criador, Robert Moog, aparecia outra banda que faria do mellotron (teclado que imitava e reproduzia perfeitamente os sons de violinos, cellos, flautas e vozes humanas) seu instrumento principal, o Moody Blues. O legal nisso tudo, eram fatos que aconteciam todos os dias criando uma atmosfera mágica, linda e onírica. Me lembro quando o Guess Who (banda canadense) lançou em 70 o hit "American Woman". Todo mundo pensou que se tratava de um novo álbum do Led Zeppelin. Outros argumentavam que era o Creedence, devido a grande semelhança dos timbres vocais dos três. Também o The Who, que já estava arrebentando nas paradas, lança o polêmico álbum Who's Next, onde os membros da banda apareciam urinando numas ruínas. Por sinal, este é o melhor e mais sofisticado trabalho deles. Tinha ainda o Sweet, com vocais e pegadas muito semelhantes ao Led Zeppelin. O Atomic Rooster fazia misérias com o tecladista piloto de órgão hammond, Vincent Crane, uma lenda. Desta banda sairia o baterista Carl Palmer, futuro batera do Emerson, Lake e Palmer. Bem, vocês me perguntariam: e no Brasil, o que rolava? Caras, aqui rolava muita coisa boa: O Terço, Mutantes, Som Imaginário, Barca Do Sol, Som Nosso De Cada Dia, Terreno Baldio, Tellah, etc... Aqui vou enfocar o básico, um marco no Brasil. Se trata do Mutantes, lançando em 1968 seu primeiro álbum de mesmo nome. Caras, foi uma overdose! Os músicos eram altamente inovadores, com uma sonoridade única! Revolucionaram a música brasileira e fundaram junto com Gil, Caetano e outros, a Tropicália, um grandioso momento na nossa arte. Pasmem, Rita Lee era vocalista e flautista da banda. Arnaldo Baptista, um tecladista experimentador com uma voz feroz. Sérgio Baptista, seu brother, um guitarrista afiado com uma voz melodiosa. Para completar, tinha um grande baterista, Rui Motta. Seus álbuns seguintes foram obras primas, e em muitas vezes (pasmem novamente), superando os próprios Beatles em criatividade. Pode ser uma heresia, mas sei bem o que digo ouvindo seus trabalhos que hoje estão disponíveis masterizados em CD, no mercado independente. O triste disso tudo é ver a cara de "bosta" do povão assistindo e reprovando a banda num clássico especial ao vivo filmado na Rede Cultura. Os caras detonando no palco e a platéia morta de medo e repressão assistindo tudo aquilo meio "passados". Como vocês acham que estava o Brasil nesta época? Como todo mundo estava? Reprimidos, sufocados por guerras, problemas graves econômicos e muita estupidez. Tudo isso explodiu na música. Tivemos a Jovem Guarda com Roberto Carlos liderando a audiência. Foi excelente, pois inúmeras bandas se apresentavam neste programa, incluindo o famoso The Jet Blacks. Depois, Roberto broxou... Mas deu seu recado e marcou o movimento do Rock no Brasil. Aqui, nesta época, era difícil andar pelas ruas com cabelo comprido e roupas coloridas, pois a polícia parava, dava batida geral e muitas vezes agrediam as pessoas sem motivos. Nas escolas éramos as ovelhas negras. Em casa, os nossos pais não nos aceitavam. Eu, como músico, sei bem o que foi viver nessa época cheia de contradições. Mas, no todo, era muito melhor que hoje, pois havia mistério, menos poluição no ar, muita magia musical e a literatura era uma obrigação entre os freqüentadores de bares e porões Rockers underground. A literatura nunca esteve tão em alta quanto neste período. Carlos Castañeda, Edgar Allan Poe, Dante, Fernando Pessoa, Lobsang Rampa, Chiang Sing, Prabhupada, Osho e toda a sorte de literatura dramática, ocultista e com filosofia oriental, eram as bases do Rock 60 e 70. Tudo isso era mal compreendido no Brasil, como no festival da Canção (FIC), onde Walter Franco quebrou um violão e jogou na platéia que o vaiava porque não entenderam sua música intitulada "Cabeça". Walter fez um disco clássico do Rock brasileiro chamado Vela Aberta. Os Mutantes apareciam muitas vezes como banda de apoio de Gilberto Gil. Ainda, Geraldo Vandré, seqüestrado pelo militarismo, desapareceu durante anos por causa de sua linda música "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores". Era muito difícil conciliar dois mundos em conflitos... o nosso, dos jovens, e o dos nossos pais, com conceitos quebrados, arcaicos, reprimidos. Mas isso será assunto para nossa próxima edição. Até lá, escutem um hino a liberdade, a música "Sweet Freedom", do Uriah Heep. Nos encontramos por ai...

PAINT &BLUE (Rolling Stones Blues Tribute)

o "Blues" por trás de Paint It Blue: Songs of the Rolling Stones
Apesar do CD dizer que não se trata de um "tributo" é um tributo de formato "Blues" feito por vários cantores e músicos atuais de "Blues" mostrando a influência da banda no estilo.Se bem que Rolling Stones é rock,tem influências de folk & country europeu, música indiana (era Brian Jones) e outras mistas. Os Stones nunca esconderam sua influência do blues, então faz sentido que suas músicas soassem bem interpretadas por artistas de blues e R&B. Essa é a proposta de Paint It Blue: artistas contemporâneos de blues e R&B cantam algumas das canções mais blues da banda. Embora alguns possam argumentar que a ideia é um pouco piegas demais, as performances de Luther Allison ("You Can't Always Get What You Want"), Junior Wells ("(I Can't Get No) Satisfaction"), Taj Mahal ("Honky Tonk Women"), Clarence "Gatemouth" Brown ("Ventilator Blues"), os Holmes Bros. ("Beast of Burden") e Bobby Womack ("It's All Over Now"), entre muitos outros, Eu particularmente adoro Blues , é um disco para amantes do gênero, e do Rock primordial também.As releituras das músicas de Keith Richards & Mike Jagger são ótimas, soam bem gravadas, muito feeling, com arranjos(algumas) bem próximos ao rock anos 60-70- .Neste Video , SATISFACTION aparece muito próxima ao som do CREEDENCE CLEWATER REVIVAL !!! Nota 10.
CD ANO LANÇAMENTO- 1997

quinta-feira, 4 de junho de 2026

ROCK: ONTEM & HOJE

Nas edições prévias desta coluna nós falamos muito sobre as bandas e cultura em geral do cenário roqueiro durante as décadas de 60 e 70. Porém, pouco falamos do fã de Rock durante estas décadas. Como eram os fãs; o que faziam; como conseguiam material; enfim, creio que os leitores mais jovens têm muitas dúvidas sobre como as coisas funcionavam há 30 ou 40 anos atrás. Desta forma, para melhor compreender como eram as décadas de 60 e 70 para um fã de Rock, resolvi pegar as dúvidas mais freqüentes e transforma-las numa espécie de f.a.q. (frequently asked questions – questões freqüentemente perguntadas) e tentar traçar um panorama geral de como eram as décadas passadas para quem curtia Rock ‘N’ Roll. Confira. Quais foram as principais bandas que tocaram no Brasil durante as décadas de 60 e 70? Vieram muitas bandas famosas, mas a grana era curta, havia muita repressão e nós, rebeldes adolescentes, apesar da dita liberdade, éramos constantemente vigiados pelos pais. Eu assisti a quatro grandes shows que foram um marco para todos aqui no Brasil como o Passport (Alemanha), Jean-Luc Ponty (França), Rick Wakeman com seu magnífico “Viagem ao Centro da Terra”, em São Paulo, e o melhor de todos, o Genesis (sem o Peter Gabriel), que também rolou em São Paulo, com uma lotação de 60 mil pessoas. Como reagiam os fãs de Rock frente aos novos lançamentos de vanguarda como os primeiros discos do Black Sabbath ou Motörhead, por exemplo? As coisas iam acontecendo e o pessoal já ia assimilando. Uns gostavam e outros demoravam um pouco mais para assimilar o novo som. Mas em geral todo mundo curtia. Menos a maior parte dos pais, que achavam que o Rock era um barulho insuportável. No caso do Black Sabbath, houve um impacto forte na mídia. Interferiu diretamente no comportamento dos jovens, tanto no aspecto social, quanto religioso. O som era místico e despertou muita curiosidade entre os roqueiros. Haviam lojas especializadas que vendiam LPs, camisetas e demais materiais de merchandising? Sim, mas eram em pontos específicos. Em Campinas/SP, tínhamos as Livrarias Brasil e Teixeira, além da famosa Raposa Vermelha (com novidades vindas da Europa e EUA). Em São Paulo, a Galeria do Rock era o centro geral. O material era farto, mas muito caro. Haviam locais específicos para ponto de encontros de roqueiros durante estas décadas? Em Campinas os roqueiros se reuniam nos bares City Bar e Paulistinha. Mas havia muitas festas em chácaras da periferia com muito som e curtição. Nos centros urbanos, aos finais de semana, rolavam muitas festas da pesada em casas de família, abertas a todos. O que hoje seria impossível devido ao marginalismo. Como a sociedade encarava os cabelos longos, as roupas extravagantes e, principalmente, o som? Com muita reserva. Para vocês terem uma idéia, numa escola de segundo grau onde estudei, só tinha cinco caras com cabelos compridos (eu era um deles) e éramos isolados, mal vistos e recriminados por qualquer razão. Mas no nosso meio (gangues) a coisa rolava maravilhosamente. Mas havia muitos babacas jovens também. As brigas eram poucas e quando rolavam eram entre gangues barra pesada com facas, correntes e pedaços de paus. Raramente revólveres. Quais seriam as diferenças básicas entre roqueiros do passado e os atuais? Estamos em outra sociedade. Nos anos 70 o papo geral era o ocultismo, as viagens lisérgicas, os OVNIs, as plantas de poder, etc. As preocupações maiores eram a Bomba H e a ecologia, e também a vida pós-morte, bem como a filosofia oriental. Os movimentos eram calcados mais na metafísica e no hinduísmo ou a crença na reencarnação, trazida pelo recente movimento hippie e pelos Beatles com seus gurus. Tanto que se você olhar para as roupas coloridas dos anos 60 e 70 verão claramente que foram inspiradas pelos hindus. O lance místico era ter visões, viajar com as plantas e LSD para depois trocar informações, fazer um som nas montanhas, nadar nu e chapado nas cachoeiras, deitar e ficar olhando para as estrelas durante horas. Foram décadas maravilhosas onde tínhamos mais liberdade que hoje, apesar de parecer o contrário. Hoje há muitos muros, muitas cidades, fios, casas, menos montanhas e árvores. Há muita gente acumulada nos grandes centros, muitos bandidos e marginalidade. Ninguém sai mais de casa para ficar deitado numa montanha sem ter medo de ser assaltado. O materialismo está no seu ápice e a parte espiritual em baixa. O ser humano se acomodou em ter muita coisa, mas deixou de “ser” algo. As rádios e TVs tocavam muito mais sonzeira que hoje, pois naqueles tempos só haviam coisas boas. Hoje as rádios e TVs só apresentam enlatados fúteis e idiotas. Se o pessoal não reagir contra esse lixo todo, então amigos, não haverá mais tempo nem nada para dizer às gerações futuras.

GRATEFUL DEAD ( & As Caveiras No Rock)

O Grateful Dead foi uma banda icônica de San Francisco (USA) anos 60, mesclado um som inicial folk-country, depois enveredando pelas trilhas mais sofisticadas e experimentais do rock progressivo,como em Terrapin Station. Também ,como no video que disponho abaixo, umas pitadas de funk (mais raras).Aliás esta faixa de 1978 deve ter inspirado muito o Roger Waters com The Wall. As capas e a marca registrada da caveira em Blues for Allah são muito belas e marcantes.Creio que isto deu um grande impulso ao grupo.Eles fizeram um show muito interessante no Egito, nas Pirâmides, tal qual fêz depois Jean Michel Jarre. Muitas bandas everedaram por fazer capas de álbuns que se tornaram famosos como Mercyful Fate, Message, Grave Digger, etc...
Com ossos & crânios humanos.A caveira aparece como um sub-símbolo do rock de maneira geral em vários grupos de Black, Death, Thrash Metal, etc... A metafísica da morte no rock, a tonalidade sombria e mais mórbida parece que chama atenção de quase 100% dos apreciadores do gênero.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

A ERA DA INCERTEZA ( Rock & FIlosofia) Parte I

Com o advento da entrada da humanidade em um novo ciclo, ou nova era, como muitos neo-filósofos profetizaram nesses últimos 50 anos, o planeta sofreu uma drástica ruptura de valores e transformações, no mínimo, radicais. Com a insatisfação geral da maior parte dos habitantes deste pequeno astro, frente a guerras, adversidades econômicas, religiosas e sociais, as pessoas buscaram novos horizontes. Seja nas artes, no comportamento ou filosofia, um movimento sofisticado e reacionário surgiu nos anos 60 e se alastrou por toda a década de 70. De um lado, se posicionava o velho e carcomido sistema severo, pseudo-moralista, com seus estereótipos furados e pontos de vista que no mínimo nos deram duas guerras mundiais. E de outro, novos videntes reacionários artísticos, que deram uma luz no fim do túnel, apresentando novas vertentes e rumos para a tão defasada e arruinada vida cotidiana deste período. Começando pelo surgimento do rock, com Elvis rebolando em frente a milhares de câmeras de TV, altamente censurado na época. Jerry Lee Lewis e sua boca maldita, com seu piano demoníaco jogando merda nos ventiladores do sistema. Aliás, a liberdade (Sweet Freedom- Uriah Heep) foi o tema básico dessas duas décadas (60 e 70). Com a guerra do Vietnã, surge o movimento hippie do “paz e amor”. Mas não pensem que todos os jovens desta época compartilhavam dos interesses e mudanças coletivas. Havia um foco resistente, o dos “alienados”, que eram sustentados pela pequena burguesia dominante, os dos rebeldes sem causa. Dêem uma olhada nos documentários brasileiros dos finais de 60, na época dos grandes festivais e vão ver Sergio Ricardo quebrando seu violão e atirando na platéia... “Em 1967, na final do festival da TV Record, Sérgio Ricardo se irritou com o público – que vaiava e não deixava que ele apresentasse a música – e não teve dúvida: quebrou o violão e o arremessou na direção das cadeiras. "Vocês ganharam! Este é o país subdesenvolvido! Vocês são uns animais!", afirmou, antes de se retirar do palco”.Vide também os Mutantes tocando frente a uma platéia recalcada e fria nas suas apresentações na rede Record e Cultura. E ainda, Caetano, Gil, Geraldo Vandré entre outros, sendo exilados do Brasil pelo extremismo inconformado. Ouçam as letras das bandas brasileiras de maior renome como o Terço, Som Nosso de Cada Dia, Tellah, Moto Perpétuo, Terreno Baldio, Casa das Máquinas e irão notar nas entrelinhas a verdadeira base deste tão belo movimento. Belo, por quê? Porque era sem armas, sem guerras estúpidas, sem letras banais. Uma música sofisticada, cabeça, direta e positiva, calcada nos mais puros ideais filosóficos e espiritualistas. O povão nas ruas estava dividido. Uma parte dos jovens amava os músicos revolucionários, mas outra estava queimando seus discos em praças públicas (vide nos U.S.A. jovens queimando fanáticamente pela religião, os LPS dos Beatles). Então dizer que tudo foi um “mar de rosas” é pura asneira. Foi luz e escuridão caminhando juntas nesse período conturbado, bizarro e criativo, mas sem dúvida, altamente elevado. A filosofia indiana, que entrou para ficar através de Harrison e Lennon com seus respectivos gurus Prabhupada e Osho, invadiu quase todas as vertentes roqueiras da época. Os livros de Carlos Castañeda e Aleister Crowley eram referenciais. As viagens das drogas alucinógenas tiveram seus pontos culminantes, com altos e baixos. Muitas vidas foram ceifadas e nem tudo era a beleza do sol. Bandas como Yes, Rush e Grand Funk Railroad faziam campanhas anti-drogas, enquanto outras sucumbiam pelas mesmas. O rock básico se fundiu com outros gêneros como a música erudita, indiana, folk e medieval dando novas características ao som. Enfim, essas duas décadas morreram com seus líderes e heróis, deixando apenas o legado e a história como referencial. Infelizmente vejo a cena rock hoje ligeiramente afastada da área metafísica e intelectual que eram as bases das décadas citadas. Muita asneira, músicas pobres, letras idiotas e sem sentido, drogas sem viagem, rebeldes sem justa causa, alienação e muitos crimes. Não digo que nos anos 60 e 70 a coisa era totalmente maravilhosa. Haviam crimes e loucuras isoladas. Mas hoje há a incitação à violência e a falta de espiritualidade ou vôos além das esferas materialistas em larga escala, muito mais mídia (TV e Rádio, além da Internet) divulgando mediocridade e violência gratuita. Ouvir para crer. Conferir para ousar. Estudar para criar. Pesquisar para acreditar

Rock, Filosofia & Ocultismo (Um panorama dos 60 aos 90)

Apesar de a temática ser debatida esporadicamente e se manter como um tabu no rock, é realmente admirável a quantidade de artistas que dispõem dos acervos e anais do oculto, sobrenatural e filosófico nas suas obras. Na coluna deste mês, pretendo dar ênfase às bandas do rock que não fazem apenas música pela arte, mas que, de certa forma, chamam a atenção para os fatos espirituais e místicos da existência. Começando com o aspecto filosófico, temos Lennon e Harrison indo buscar respostas às suas existências vazias na Índia, no meio dos anos 60. Não poderia ignorar tais fatos, já que eles desembocaram nas obras dos Beatles e de toda geração rock dos 70, até recentemente em inúmeras bandas contemporâneas. A busca pelo sobrenatural e o que estamos fazendo aqui neste planeta isolado rendeu maravilhas na arte. Citamos Woodstock e o Flower Power, com a inclusão de Ravi Shankar (sitars, Índia) nos palcos do rock dando um pontapé espiritual no evento. Idéia de Harrison? Sim! Em 1971 temos o concerto para Bangladesh que rendeu um álbum fenomenal com a participação de Eric Clapton, Ravi Shankar, Bob Dylan, Harrison, Ringo Star, Badfinger, Leon Russel, entre outros grandes músicos da época. Era para chamar atenção da fome e ao mesmo tempo do espiritualismo hindu, que caminham lado a lado até hoje. O Led Zeppelin veio com a mística do maior mago do século XX, Aleister Crowley, assim como o Black Sabbath. Letras surrealistas, místicas e anárquicas aliadas à música visceral e profunda. Uriah Heep, Pink Floyd, Genesis, Van Der Graaf Generator, King Crimson e Yes colocariam um misto de metafísica, orientalismo e psicodelia, ingrediente que foi alicerce do movimento progressivo. Na Europa começava a fervilhar o kraut rock alemão e a música eletrônica liderada pelos místicos Tangerine Dream, Can, Ammon Duul, Grobschnitt, Guru Guru, Embryo, que bebiam nos versos de William Blake, John Milton e Dante Alighieri. Na França, Inglaterra e Itália, bem como nos Países Baixos, ocorria toda uma renascença do rock, com bandas indo fundo nas temáticas templárias, medievais, folclóricas, arturianas e míticas. Trabalhos surgiam aos montes, com grupos que incluíam os próprios nomes de filósofos em suas capas (Machiavel, Novalis, etc) assim como obras de cunhos tibetanos, hindu e xamânicos inspiradas em textos de Carlos Castañeda, Livro dos Mortos (Tibetano e Egípcio), Rig Veda, Zendavesta, Bíblia e Swedenborg. Arthur Brown e Vincent Crane (Atomic Rooster) faziam seus rituais macabros em cemitérios. Quem não se lembra de Alice Cooper e Kiss botando o diabólico rock com fogo pelas ventas? Tudo isso seria assimilado pelo futuro black metal e o próprio metal nos anos 80, com bandas abusando das espadas e símbolos arquétipos dos Templários, Dragões e Cruzadas Medievais. Outras mais atuais como Moonspell, Dimmu Borgir, Cradle of Filth, Tiamat, Therion, Samael, Nightwish, Epica, mantém o fogo do mistério em suas obras. Para encerrar – deixando uma lacuna para reflexão e pesquisa – cito um disco que chamou muito minha atenção pela inóspita pesquisa do autor nesta área: o álbum House Of God (00), de King Diamond, uma obra belíssima e altamente mística! Resumo a história (verdadeira) que tem como palco a Capela de Rennes Le Chateaux, na França, construída pelos visigodos no século VI. Esta capela é totalmente diferente das outras. Logo na entrada, acima da porta, apresenta-se a figura do demônio Asmodeu e uma frase em latim que diz Terribilis Est Lócus Iste (Este Local é Terrível), bem como no Louvre, que tem a figura do demônio Pazuzu – também na entrada – dizendo se tratar de um ser que se move com o vento. Por quê? Bem, a resposta ficará a critério de cada pesquisador, pois a minha eu já tenho. Note que todos os telhados e terraços superiores das catedrais são decorados pela escultura de demônios e gárgulas. O sacerdote Saunière descobriu manuscritos misteriosos na reforma da Capela, dentro das Colunas, talvez  o Graal Templário, que o transformou de pobre a um dos mais ricos e poderosos homens do século XIX. Nesta Capela ainda há cruzes invertidas, figuras de Maria Madalena (em posições não convencionais de santas), jardins, torres góticas e um clima altamente sinistro. Diamond realmente pesquisou e caprichou na temática, e incito a todos interessados no ocultismo e sobrenatural à pesquisa tanto desta obra como a de outros músicos, pois desta forma poderão absorver melhor o que o compositor quis transmitir com sua música. Good trip
!

terça-feira, 2 de junho de 2026

ALPHA III- IXTLAN -1993 (CD Mellow Records Italy) Clip 2024

Após 7 LPS, este foi meu primeiro registro em CD "VOYAGE TO IXTLAN" inspirado no livro de Carlos Castañeda (Mexico anos 70) VIDEO CLIP: Filme : Cathia & Amyr. 2024 CD lançado em 1993 na Itália/ Mellow Records
O livro de castañeda de uma série metafísica incrível, da qual sou um assíduo fan e leitor, me inspirou a fazer o disco. A banda formada tinha os irmão Archângelo( bass and guitars), Romano Ferrari ( que também tocou no LP de 1988 "Temple of Delphos")na bateria e Amyr Von Bathel Cantusio (synths/keyboards, compositions). O CD de estréia saiu pelo produtor Mauro Moroni em SAnremo, Milão, Itália.( Mellow Records)