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sábado, 9 de maio de 2026

Rock, Filosofia & Ocultismo

Apesar de a temática ser debatida esporadicamente e se manter como um tabu no rock, é realmente admirável a quantidade de artistas que dispõem dos acervos e anais do oculto, sobrenatural e filosófico nas suas obras. Na coluna deste mês, pretendo dar ênfase às bandas do rock que não fazem apenas música pela arte, mas que, de certa forma, chamam a atenção para os fatos espirituais e místicos da existência. Começando com o aspecto filosófico, temos Lennon e Harrison indo buscar respostas às suas existências vazias na Índia, no meio dos anos 60. Não poderia ignorar tais fatos, já que eles desembocaram nas obras dos Beatles e de toda geração rock dos 70, até recentemente em inúmeras bandas contemporâneas. A busca pelo sobrenatural e o que estamos fazendo aqui neste planeta isolado rendeu maravilhas na arte. Citamos Woodstock e o Flower Power, com a inclusão de Ravi Shankar (sitars, Índia) nos palcos do rock dando um pontapé espiritual no evento. Idéia de Harrison? Sim! Em 1971 temos o concerto para Bangladesh que rendeu um álbum fenomenal com a participação de Eric Clapton, Ravi Shankar, Bob Dylan, Harrison, Ringo Star, Badfinger, Leon Russel, entre outros grandes músicos da época. Era para chamar atenção da fome e ao mesmo tempo do espiritualismo hindu, que caminham lado a lado até hoje. O Led Zeppelin veio com a mística do maior mago do século XX, Aleister Crowley, assim como o Black Sabbath. Letras surrealistas, místicas e anárquicas aliadas à música visceral e profunda. Uriah Heep, Pink Floyd, Genesis, Van Der Graaf Generator, King Crimson e Yes colocariam um misto de metafísica, orientalismo e psicodelia, ingrediente que foi alicerce do movimento progressivo. Na Europa começava a fervilhar o kraut rock alemão e a música eletrônica liderada pelos místicos Tangerine Dream, Can, Ammon Duul, Grobschnitt, Guru Guru, Embryo, que bebiam nos versos de William Blake, John Milton e Dante Alighieri. Na França, Inglaterra e Itália, bem como nos Países Baixos, ocorria toda uma renascença do rock, com bandas indo fundo nas temáticas templárias, medievais, folclóricas, arturianas e míticas. Trabalhos surgiam aos montes, com grupos que incluíam os próprios nomes de filósofos em suas capas (Machiavel, Novalis, etc) assim como obras de cunhos tibetanos, hindu e xamânicos inspiradas em textos de Carlos Castañeda, Livro dos Mortos (Tibetano e Egípcio), Rig Veda, Zendavesta, Bíblia e Swedenborg. Arthur Brown e Vincent Crane (Atomic Rooster) faziam seus rituais macabros em cemitérios. Quem não se lembra de Alice Cooper e Kiss botando o diabólico rock com fogo pelas ventas? Tudo isso seria assimilado pelo futuro black metal e o próprio metal nos anos 80, com bandas abusando das espadas e símbolos arquétipos dos Templários, Dragões e Cruzadas Medievais. Outras mais atuais como Moonspell, Dimmu Borgir, Cradle of Filth, Tiamat, Therion, Samael, Nightwish, Epica, mantém o fogo do mistério em suas obras. Para encerrar – deixando uma lacuna para reflexão e pesquisa – cito um disco que chamou muito minha atenção pela inóspita pesquisa do autor nesta área: o álbum House Of God (00), de King Diamond, uma obra belíssima e altamente mística! Resumo a história (verdadeira) que tem como palco a Capela de Rennes Le Chateaux, na França, construída pelos visigodos no século VI. Esta capela é totalmente diferente das outras. Logo na entrada, acima da porta, apresenta-se a figura do demônio Asmodeu e uma frase em latim que diz Terribilis Est Lócus Iste (Este Local é Terrível), bem como no Louvre, que tem a figura do demônio Pazuzu – também na entrada – dizendo se tratar de um ser que se move com o vento. Por quê? Bem, a resposta ficará a critério de cada pesquisador, pois a minha eu já tenho. Note que todos os telhados e terraços superiores das catedrais são decorados pela escultura de demônios e gárgulas. O sacerdote Saunière descobriu manuscritos misteriosos na reforma da Capela, dentro das Colunas, talvez  o Graal Templário, que o transformou de pobre a um dos mais ricos e poderosos homens do século XIX. Nesta Capela ainda há cruzes invertidas, figuras de Maria Madalena (em posições não convencionais de santas), jardins, torres góticas e um clima altamente sinistro. Diamond realmente pesquisou e caprichou na temática, e incito a todos interessados no ocultismo e sobrenatural à pesquisa tanto desta obra como a de outros músicos, pois desta forma poderão absorver melhor o que o compositor quis transmitir com sua música.

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