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sábado, 9 de maio de 2026

DEAD CAN DANCE

Quando os mortos dançam "DEAD CAN DANCE"
Brendan Perry e Lisa Gerrard formam a coluna vertebral harmoniosa e virtuose deste projeto, que começou com um pé no gótico, porém dentro do rock. Entretanto, a partir do segundo álbum a pesquisa foi bem mais a fundo, já se tornando a partir do mesmo a marca registrada única que caracterizaria o som da banda: música étnica [folclórica e tribal de variados povos, mais calcada na Ásia e Oriente Médio] associada a elementos medievais europeus e ao rock. Lisa Gerrard – para mim, a maior voz feminina do século XX – tem uma voz poderosa que vai desde o clássico passando pela ópera, até os movimentos sutis e delineados dos cantos hindus e arábicos. Além do mais, exímia multi-instrumentista, compositora e dona de uma beleza física e espiritual maravilhosa. Brendan não fica atrás e debulha vários instrumentos, compõe e também possui um timbre vocal poderoso. A dupla se apóia num grupo de músicos de primeiro time com percussionistas, dois tecladistas e vários multi-instrumentistas em suas apresentações. O único registro disponível oficial ao vivo está no magnífico DVD Toward The Within [04], que apresenta a banda em seu apogeu num show que demonstra toda a versatilidade e originalidade de seus membros. Uma ode espiritual e de profundo bom gosto que agradará aos góticos e aos amantes da música erudita medieval, bem como os fissurados por música étnica, principalmente hindu-arábica. Infelizmente o grupo se desestruturou, mas Lisa continuou fazendo belos trabalhos na carreira solo como os discos Duality [98], Immortal Memory [04] e Silver Tree [06], que davam continuidade a sonoridade feita pela moça no Dead Can Dance. Particularmente, considero o álbum The Serpent’s Egg [88] como o melhor trabalho do Dead Can Dance. Sofisticado, profundo e magnífico. Aqui os órgãos de tubo sacros e a voz potente de Lisa impressionam e podem até levar o leitor mais sensível às lágrimas. Vale lembrar que a trilha sonora do filme Baraka [uma seqüência para este filme chamada Samsara deverá sair ainda neste ano] contém alguns videoclipes do grupo, bem como a lindíssima música “The Hoste Of Seraphim. Curiosidade: este filme foi produzido por Mark Magidson, que também foi o responsável pela produção do disco ao vivo e do DVD Toward The Within, do Dead Can Dance. Lisa Gerrard ainda fez a trilha sonora do épico de sucesso O Gladiador. A banda registrou nos anos 90 uma passagem pelo Brasil em São Paulo dando seus últimos suspiros, com um show matador. Infelizmente as coisas belas, bem como [ainda bem] as más e imbecis passam como as ondas do oceano. Brendan Perry atualmente trabalha nos EUA com um grupo de vanguarda, aliás, maravilhoso chamado Zoar, enquanto Lisa ainda rabisca algumas trilhas sonoras e participações em trabalhos menores que só nos dão saudades do velho Dead. Os mortos também dançam ouvindo tão maravilhosa música.

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