BLOG de Rock Progressivo do Projeto ALPHA III (Amyr Von Bathel Cantusio) ,música eletronica, experimental e erudita de vanguarda.
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domingo, 31 de maio de 2026
ATOMIC ROOSTER "A morte caminha atrás de você"
A morte caminha atrás de você
Caro amigo leitor. Como sabe, meu objetivo nessa coluna é tentar mapear o rock dos anos 60 e 70 fazendo analogias, comparações e esclarecimentos sociológicos que ocorreram largamente no período citado. A meu ver, jamais haverá nada igual. As mudanças que ocorreram na postura de valores do sistema em somente 30 ou 40 anos de rock equivalem á uns 200 anos de mudanças.
Em 1970, a banda inglesa de hard rock Atomic Rooster, liderado pelo mago e satanista Vincent Crane (k), foi um dos alicerces do lado “negro” do rock, juntamente com o Black Sabbath, Led Zeppelin e Uriah Heep. Com o disco – o segundo – Death Walks Behind You, lançado em 1970, a banda marcaria uma virada do lado psicodélico para o lado sombrio da existência, sem contar com os incríveis arranjos que viriam a influenciar tanto o Uriah Heep quanto o EL&P. Até porque foi do Atomic Rooster que saiu o baterista Carl Palmer, que fundou o EL&P.
Crane usa e abusa largamente dos órgãos hammond, com solos e performances de arrepiar, indicado para fãs de Ken Hensley, Jon Lord e Keith Emerson. Sem contar também com os vocais datados e rasgados, a cozinha complexa e composições letárgicas com letras abissais, que nos remete a uma viagem para o além. Aliás, o título da coluna dessa edição indica o que acontece exatamente em toda história da música, das nossas existências, de nosso “dia a dia”, ou seja, de que a morte está sempre colada aos nossos calcanhares para dar seu derradeiro bote. Tudo que começa, tem um fim. E o rock dos anos gloriosos se foi para não mais retornar.
Mas o que quero enfatizar aqui é o lado místico e oculto que permeou o rock no período de 1967-1975. Obviamente que os músicos desta época eram intelectuais e a literatura de Willian Blake, Houxley, Poe e Castañeda eram pavios acessos que explodiam a pólvora das letras.
Além de Crane, outro ícone estranho e intelectual foi Jim Morrison. A música do The Doors (nome retirado de um livro de Blake) era imprevisível, mas o que mandava mesmo eram as letras de Morrison, e sua figura endiabrada e erótica, numa época de total repressão social.
Morrison estava completamente ligado aos xamãs tribais, aos devaneios no abismo sombrio da existência, na busca pelo oculto, por sua alma atormentada. Foi uma figura adorada, odiada e temida. Como Crane, era um místico errante dos cemitérios, das orgias bacantes e da busca por respostas do porque da nossa existência neste universo. Morrison morreu em 1971, por overdose de heroína. Como tantos outros, perseguiu a morte, que hoje é tão cultuada no black metal, mas sem profundidade na maior parte do tempo.
Basta vocês lerem pelo menos dois livros de Castañeda para terem idéia do caráter de Morrison, cito “A erva do Diabo” e “Viagem a Ixtlan”. Aliás, os dois se conheceram pessoalmente e Morrison sugeriu a filmagem da vida de D. Juan (bruxo nagual mestre, personagem central das obras de Castañeda, seu próprio guru). Morrison estudou cinema com Francis Ford Copolla, e gravou um pirata raríssimo na casa de Robert Plant (Led Zeppelin), ao lado das guitarras de Hendrix e Johnny Winter, chamado “Sky Hight”.
John Densmore, o baterista que estudava meditação indiana no centro do mestre indiano Maharishi (o mesmo dos Beatles) escreveu uma obra-prima biográfica do The Doors, chamada “Riders on The Storm”, recomendado para quem quer saber mais sobre o aspecto sobrenatural desta banda.
Muitas bandas, desde os anos 60 até hoje, tem a morte como inspiração de seus temas, capas e músicas. Como na frase de Dante em “A Divina Comédia”: - No fim, todos Imperadores e Reis da Terra, até o maior, se curvam ao trono da morte.
Talvez esta seja uma matéria um pouco mórbida, mas estudar a existência ou ouvir a música e letra de bandas como The Doors ou Atomic Rooster não fica por menos. Uma atmosfera sombria, que aguarda a todos nós, independente da razão social ou do poder aquisitivo. Talvez na próxima curva, talvez na próxima esquina, talvez em algum lugar no tempo, no espaço, “a morte estará caminhando atrás de você”. Até a próxima, ou não...
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