Total de visualizações de página

terça-feira, 12 de maio de 2026

King Crimson: o Rei Escarlate

King Crimson: o Rei Escarlate Muitos poderiam indagar o porquê desta matéria e destaque para este grupo. Acontece que essa é uma das mais ecléticas, estranhas e competentes bandas do rock progressivo dos anos 60/70. Aliás, é mais um projeto do guitarrista e mentor inglês ROBERT FRIPP, o qual varia o time de músicos a cada disco. Mas sua bizarra performance de guitarras angustiantes e frenéticas lhe dá um destaque único na história do rock. Até Hendrix, empolgado com o primeiro show da banda em 1968, foi cumprimentá-lo no palco dizendo: "Amigo, toque minha mão esquerda, pois ela está mais próxima do meu coração". Fripp é um iniciado no quarto caminho [Ordem Sufi Oriental] que se expandiu na França através do Mestre Gurdjieff. Além do mais, possui conhecimento de ocultismo e esoterismo, o qual permeia as obras do Crimson. Para se escutar um disco, por exemplo, o Larks’ Tongues In Aspic [73], aconselho ao ouvinte desavisado se preparar para o terreno sinistro e experimental. Uma fórmula maravilhosa de ouví-lo é você adquirir o livro INFERNO [de August Strindberg] e ler o livro todo ao som deste disco em especial, como eu mesmo fiz. O casamento é perfeito! A faixa “Easy Money” é um monumento. As outras obras do Rei Escarlate são fenomenais, desde o primeiro álbum – In The Court Of Crimson King [69] – passando por In The Wake Of Poseidon [70], Starless And Bible Black [74], Lizard [70], Red [74], incluindo ainda a segunda fase da banda com os discos Three Of A Perfect Pair [84] ou Beat [82], entre outros. Geralmente o batera principal que cai como uma luva na banda é o virtuose Bill Bruford. No baixo e vocal o ótimo John Wetton. Na segunda fase o convidado especial é o exímio guitarrista e vocalista Adrian Belew. Outros grandes nomes passaram pelo grupo como Ian Mc Donald [k]; Mike Giles [fantástico batera]; o percussionista maluco Jaime Muir; David Cross nos violinos; Greg Lake nas cordas vocais e violões; o fantástico baixista Tony Levin na fase atual e o letrista Peter Sinfield – que era um Bob Dylan para a época influenciando Genesis, Le Orme e ELP –; o baixista falecido recentemente Boz Burell; o baterista incrível do Greenslade, Andrew McCulloch, e o vocalista do Yes, Jon Anderson [ambos num dos mais significativos álbuns do grupo: o disco Lizard]. Fripp disse a seguinte frase à imprensa, indiferente às críticas idiotas e destrutivas por causa de seu temperamento fechado, quieto e da sua música complexa e metafísica: "Nossa música tem uma autoconsciência mais aguda; visa provocar reações na cabeça e no coração, e não nos pés". Acrescento eu mesmo que o Rei Escarlate faz uma música cerebral e espiritualizada, e não uma música intestinal. Fripp trabalhou com Brian Eno e Steve Reich na música minimalista e experimental, desenvolveu um aparelho que é denominado por ele de "frippertronic" [um sintetizador de guitarras] e fundou toda uma escola de guitarristas, incluindo dois grandes admiradores seus: Steve Hackett [Genesis] e Steve Howe [Yes]. Precisa falar mais? Mesmo assim, o Rei Escarlate ocupa lugar entre os "malditos" e "undergrounds" até hoje, junto com grupos como Gentle Giant ou Van Der Graaf Generator. Pra finalizar, uma de suas letras que exprime bem o coração sangrento do Rei – “I Talk To The Wind”: "Olhando para dentro Mais confusão Desilusão ao meu redor Por isso eu falo com O Vento..."
Indico ainda três músicas que são um marco do mestre Fripp nos solos de guitarra com as camas de mellotron. De chorar mesmo! São elas: “Night Watch”, “Epitaph” e “Starless”. Mas quer um conselho? Adquira a obra toda, pois realmente vale muito a pena. Long Live the King!

Nenhum comentário:

Postar um comentário