BLOG de Rock Progressivo do Projeto ALPHA III (Amyr Von Bathel Cantusio) ,música eletronica, experimental e erudita de vanguarda.
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quarta-feira, 3 de junho de 2026
A ERA DA INCERTEZA ( Rock & FIlosofia) Parte I
Com o advento da entrada da humanidade em um novo ciclo, ou nova era, como muitos neo-filósofos profetizaram nesses últimos 50 anos, o planeta sofreu uma drástica ruptura de valores e transformações, no mínimo, radicais.
Com a insatisfação geral da maior parte dos habitantes deste pequeno astro, frente a guerras, adversidades econômicas, religiosas e sociais, as pessoas buscaram novos horizontes. Seja nas artes, no comportamento ou filosofia, um movimento sofisticado e reacionário surgiu nos anos 60 e se alastrou por toda a década de 70.
De um lado, se posicionava o velho e carcomido sistema severo, pseudo-moralista, com seus estereótipos furados e pontos de vista que no mínimo nos deram duas guerras mundiais. E de outro, novos videntes reacionários artísticos, que deram uma luz no fim do túnel, apresentando novas vertentes e rumos para a tão defasada e arruinada vida cotidiana deste período.
Começando pelo surgimento do rock, com Elvis rebolando em frente a milhares de câmeras de TV, altamente censurado na época. Jerry Lee Lewis e sua boca maldita, com seu piano demoníaco jogando merda nos ventiladores do sistema. Aliás, a liberdade (Sweet Freedom- Uriah Heep) foi o tema básico dessas duas décadas (60 e 70). Com a guerra do Vietnã, surge o movimento hippie do “paz e amor”.
Mas não pensem que todos os jovens desta época compartilhavam dos interesses e mudanças coletivas. Havia um foco resistente, o dos “alienados”, que eram sustentados pela pequena burguesia dominante, os dos rebeldes sem causa. Dêem uma olhada nos documentários brasileiros dos finais de 60, na época dos grandes festivais e vão ver Sergio Ricardo quebrando seu violão e atirando na platéia... “Em 1967, na final do festival da TV Record, Sérgio Ricardo se irritou com o público – que vaiava e não deixava que ele apresentasse a música – e não teve dúvida: quebrou o violão e o arremessou na direção das cadeiras. "Vocês ganharam! Este é o país subdesenvolvido! Vocês são uns animais!", afirmou, antes de se retirar do palco”.Vide também os Mutantes tocando frente a uma platéia recalcada e fria nas suas apresentações na rede Record e Cultura. E ainda, Caetano, Gil, Geraldo Vandré entre outros, sendo exilados do Brasil pelo extremismo inconformado. Ouçam as letras das bandas brasileiras de maior renome como o Terço, Som Nosso de Cada Dia, Tellah, Moto Perpétuo, Terreno Baldio, Casa das Máquinas e irão notar nas entrelinhas a verdadeira base deste tão belo movimento. Belo, por quê? Porque era sem armas, sem guerras estúpidas, sem letras banais. Uma música sofisticada, cabeça, direta e positiva, calcada nos mais puros ideais filosóficos e espiritualistas.
O povão nas ruas estava dividido. Uma parte dos jovens amava os músicos revolucionários, mas outra estava queimando seus discos em praças públicas (vide nos U.S.A. jovens queimando fanáticamente pela religião, os LPS dos Beatles). Então dizer que tudo foi um “mar de rosas” é pura asneira. Foi luz e escuridão caminhando juntas nesse período conturbado, bizarro e criativo, mas sem dúvida, altamente elevado.
A filosofia indiana, que entrou para ficar através de Harrison e Lennon com seus respectivos gurus Prabhupada e Osho, invadiu quase todas as vertentes roqueiras da época. Os livros de Carlos Castañeda e Aleister Crowley eram referenciais. As viagens das drogas alucinógenas tiveram seus pontos culminantes, com altos e baixos. Muitas vidas foram ceifadas e nem tudo era a beleza do sol. Bandas como Yes, Rush e Grand Funk Railroad faziam campanhas anti-drogas, enquanto outras sucumbiam pelas mesmas.
O rock básico se fundiu com outros gêneros como a música erudita, indiana, folk e medieval dando novas características ao som.
Enfim, essas duas décadas morreram com seus líderes e heróis, deixando apenas o legado e a história como referencial. Infelizmente vejo a cena rock hoje ligeiramente afastada da área metafísica e intelectual que eram as bases das décadas citadas. Muita asneira, músicas pobres, letras idiotas e sem sentido, drogas sem viagem, rebeldes sem justa causa, alienação e muitos crimes. Não digo que nos anos 60 e 70 a coisa era totalmente maravilhosa. Haviam crimes e loucuras isoladas. Mas hoje há a incitação à violência e a falta de espiritualidade ou vôos além das esferas materialistas em larga escala, muito mais mídia (TV e Rádio, além da Internet) divulgando mediocridade e violência gratuita.
Ouvir para crer. Conferir para ousar. Estudar para criar. Pesquisar para acreditar
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