Total de visualizações de página

sábado, 6 de junho de 2026

THE NICE & EL& P ( Analogias Musicais)

Do envenenado ano de 1967 emanou psicodelia, mutações, incrementações bizarras e insurreições radicais no rock. Em 1967 também surge desse turbilhão o fenomenal virtuoso, tecladista de mão cheia, Keith Emerson e seu grupo avant-garde, The Nice. No começo eram quatro rapazes com um som pra lá de ousado e experimental, que até hoje soa avançado e não pode ser assimilado sem uma pré-iniciação musical. Para compreender o The Nice é necessário, antes de mais nada, uma cultura musical na área do erudito tradicional e contemporâneo, e na área do jazz e blues. Tudo isso era misturado com muita garra, criatividade e pompa, fazendo do The Nice um grupo pioneiro. O Deep Purple começaria da mesma forma e na mesma época, mas o The Nice era mais radical e erudito. Aliás, o maestro Jon Lord foi professor de harmonia de Keith Emerson. O The Nice ficou famoso pela formação power-trio: teclados, baixo e bateria. O primeiro LP, lançado em 1967, reunia o guitarrista David O’List, o estupendo e virtuose batera Brian Davison e o fenomenal baixista e vocalista Lee Jackson. Além, é claro, do mentor Keith Emerson. Este primeiro trabalho é ótimo, com tendências mais ácidas e progressivas por causa da presença da guitarra de O’List, que muda muito a expressão musical de forma geral. Com a saída deste ótimo guitarrista, a banda consagrou a formação de trio para a posteridade, criando mais quatro álbuns arrasadores, que marcariam toda uma parte da história do rock. A música do The Nice é eclética. Suas composições têm geralmente cerca de 10 a 15 minutos de duração e são baseadas no órgão hammond, piano acústico (inigualáveis até hoje), bateria e baixo com divisões e intervenções jazzísticas precisas e convenções incríveis. Música muito difícil de se compor, de ensaiar e de se executar, pois exige uma enorme formação musical. Emerson toca J.S. Bach, Sibelius ou Beethoven tão bem quanto Scott Joplin, ragtimes e blues. Além do mais, para os tecladistas o cara é uma escola referencial, principalmente em relação aos abusos sonoros que ele tira do órgão Hammond B-3. No piano o homem é preciso, com uma técnica limpíssima de cair o queixo. O The Nice seria pioneiro de uma era, que daria ao mundo o futuro Emerson, Lake and Palmer. Iniciaria uma série de outros imitadores de nível, ou seja, uma nova escola dentro do rock como Vincent Crane (Atomic Rooster), Triumvirat, Tritonus, Epidaurus, U.K., etc. O The Nice traria inspirações ao King Crimson, de onde toda uma escola de músicos saiu para arrasar nos anos 70, incluindo o baixista Greg Lake, que faz os vocais e cordas no primeiro disco do grupo, In The Court Of The Crimson King. Lake estreou com Emerson, Lake and Palmer no Festival da Ilha de Wight em agosto de 1970. Cito aqui a título de pesquisa obrigatória aos interessados, os álbuns essenciais do grupo The Nice: The Thoughts of Emerlist Davjack (1967) Ars Longa Vita Brevis (1968) The Nice (1969) Five Bridges Suite (1970) Elegy (1971) Na realidade, o trabalho desenvolvido pelo The Nice nem seria igualado ao próprio posterior ELP, apesar das comparações inevitáveis. O ELP seria mais bombástico, e Keith Emerson lançaria mão de moogs e sintetizadores mais agressivos, com menos inserções jazzísticas e mais rock. O The Nice é mais purista, na raça e numa época em que inovações eram uma grande maestria e risco para os produtores, tanto que numa das apresentações do grupo, a indiferença foi tanta que Emerson estourou literalmente uma bomba no palco para o povo prestar atenção no som da banda. Portanto, sempre foi difícil a inserção da grande arte nas massas, pois a voz das massas nunca foi a voz de Deus.
From the poisoned year of 1967 emanated psychedelia, mutations, bizarre enhancements, and radical insurrections in rock. In 1967, the phenomenal virtuoso, masterful keyboardist Keith Emerson and his avant-garde group, The Nice, also emerged from this whirlwind. In the beginning, they were four guys with a sound that was incredibly daring and experimental, which even today sounds advanced and cannot be assimilated without prior musical initiation. To understand The Nice, it is necessary, first and foremost, to have a musical culture in the area of ​​traditional and contemporary classical music, and in the area of ​​jazz and blues. All of this was mixed with a lot of grit, creativity, and pomp, making The Nice a pioneering group. Deep Purple would start in the same way and at the same time, but The Nice was more radical and erudite. Incidentally, maestro Jon Lord was Keith Emerson's harmony teacher. The Nice became famous for its power-trio formation: keyboards, bass, and drums. The first LP, released in 1967, brought together guitarist David O'List, the stupendous and virtuoso drummer Brian Davison, and the phenomenal bassist and vocalist Lee Jackson. In addition, of course, to the mentor Keith Emerson. This first work is great, with more acidic and progressive tendencies because of the presence of O'List's guitar, which greatly changes the musical expression in general. With the departure of this great guitarist, the band consecrated the trio formation for posterity, creating four more devastating albums that would mark a whole part of rock history. The Nice's music is eclectic. Their compositions are generally about 10 to 15 minutes long and are based on the Hammond organ, acoustic piano (unmatched to this day), drums and bass with precise jazz divisions and interventions and incredible conventions. Very difficult music to compose, rehearse and perform, as it requires a huge musical background. Emerson plays J.S. Bach, Sibelius, or Beethoven as well as Scott Joplin, ragtime, and blues. Moreover, for keyboardists, the guy is a benchmark, especially in relation to the sonic excesses he gets out of the Hammond B-3 organ. On the piano, the man is precise, with a jaw-droppingly clean technique. The Nice would be a pioneer of an era, which would give the world the future Emerson, Lake and Palmer. It would start a series of other high-level imitators, that is, a new school within rock like Vincent Crane (Atomic Rooster), Triumvirat, Tritonus, Epidaurus, U.K., etc.

ROCK PROGRESSIVO ANOS 70-80 (Temáticas Religiosas) Vintage Progressive Rock & Religion Albuns

Aqui citarei apenas alguns exemplos de LPS de rock progressivo raros, que tem temáticas filosóficas e religiosas.Um grande número de bandas tem nomes de Filósofos, tal qual Novalis (Alemanha).O famoso álbum italianoa do Museo Rosenbach (Assim falou Zaratustra) é um dos inúmeros exemplos. Armando Tirelli(solo) Uruguay( America do Sul) tem um LP no qual modéstia parte, fui o primeiro a trazer ao Brasil nos anos 80, em uma viagem que fiz ao Uruguay.Eu trouxe 15 LPS os quais viralizaram no meio do progressivo(colecionadores) nacional.É um LP de capa dupla, lindo, e vinha ainda com uma "correntinha e crucifixo "num saquinho junto com o LP.Uma raridade. Enfim ,não só temáticas cristãs no rock progressivo, mas temáticas hindus( como o famoso álbum do Yes (Tales from Topographic Oceans) inspirado no livro de Yogananda(Autobiografia de um Yogue) O Grand Funk foi uma banda com pé no cristianismo, e o Creedence Clewater Revival era de uma seita cristã nos U.S.A. Na parte "negra" temos bandas inspiradas no Ocultismo e Magia Negra ( Black Sabbath, Led Zeppelin, etc...) No progressivo temos o Atomic Rooster (U.K.) Na Itália , o famoso Antonius Rex. E também o Goblin e Daemonia (projetos do tecladista Claudio Simonetti).Seguem alguns álbuns raros para voces pesquisarem: Kreuzweg 1983 (Germany)
Devido à sua proposta conceitual e temática cristã, o álbum é considerado uma verdadeira "pérola perdida" e é muito cultuado por colecionadores de rock progressivo obscuro. Kreuzweg, da banda cristã alemã de mesmo nome, lançado em 1984 pela Pila Music. O disco foi gravado entre outubro de 1982 e setembro de 1983, o que costuma gerar a associação com o ano de 1983.O trabalho é aclamado como um dos melhores e mais conceituais discos de rock progressivo cantados inteiramente em alemão. Musicalmente, a banda tem grande influência de grupos como Grobschnitt e Novalis, com arranjos complexos, presença marcante de teclados, guitarras, vocais expressivos e instrumentos de sopro (saxofone, flauta e oboé). ARMANDO TIRELLI-El Profeta (Paraguay) 1978 (FOC)
, o álbum "El Profeta" (1978), do tecladista e compositor uruguaio Armando Tirelli, é uma obra conceitual de rock progressivo baseada nos escritos do famoso livro homônimo do poeta libanês Khalil Gibran. Passio Secundum Mattheum 1972
Italy A obra é um excelente exemplo de rock progressivo sinfônico conceitual. Ela adapta os eventos da Paixão de Cristo baseados no Evangelho de Mateus, apresentando passagens dramáticas como a Última Cena, a crucificação e a ressurreição, contadas através da música clássica combinada com o rock. Electra - 1980 Die Sixtinische Madonna Inicio em 1969
com grandes álbuns.A partir de 80, seu som ficou mais POP. Na verdade, trata-se de um debate filosófico e político. A suíte principal de 26 minutos é uma justificativa cultural do motivo pelo qual um país comunista (a antiga Alemanha Oriental, onde a banda foi formada) deveria abrigar uma peça de arte explicitamente religiosa como a famosa pintura homônima de Rafael.O disco mistura rock sinfônico com música clássica, utilizando corais e sintetizadores para abordar a arte e a história do museu de Dresden. Here I will cite just a few examples of rare progressive rock LPs, which have philosophical and religious themes. A large number of bands have the names of philosophers, such as Novalis (Germany). The famous Italian album by Museo Rosenbach (Thus Spoke Zarathustra) is one of the many examples. Armando Tirelli (solo) Uruguay (South America) has an LP which, modesty aside, I was the first to bring to Brazil in the 80s, on a trip I made to Uruguay. I brought 15 LPs which went viral among national progressive rock collectors. It's a beautiful double-cover LP, and it even came with a "chain and crucifix" in a small bag along with the LP. A rarity. Finally, not only Christian themes in progressive rock, but also Hindu themes (like the famous Yes album (Tales from Topographic Oceans) inspired by Yogananda's book (Autobiography of a Yogi)). Grand Funk was a band with roots in Christianity, and Creedence Clearwater Revival was from a Christian sect in the U.S.A. In the "dark" part we have bands inspired by Occultism and Black Magic (Black Sabbath, Led Zeppelin, etc...). In progressive rock we have Atomic Rooster (U.K.). In Italy, the famous Antonius Rex. And also Goblin and Daemonia (projects of keyboardist Claudio Simonetti). Here are some rare albums for you to research:

sexta-feira, 5 de junho de 2026

ITALIA & ROCK PROGRESSIVO ANOS 70

Como o assunto e a quantidade de bandas é enorme, e eu mesmo (ALPHA III) gravei CDS pela Mellow Records( Italy),aqui surrupiei alguns comentários com os quais concordo de maneira genérica .Logicamente A Itália revelou uma quantidade incrível de bandas progressivas no início dos anos 70 que não só impressionam, como , rivalizam com a famosa cena britânica, E a superam em muitos casos, tanto em talento quanto em quantidade. Na década de 1970, o rock progressivo era muito popular na Itália, e não é nenhuma surpresa. Como um dos berços espirituais da música erudita ocidental, sem mencionar a ópera, a Itália é um lugar muito antigo na Arte, com uma cultura musical poderosa, os ouvintes italianos estavam muito receptivos à explosão de novas ideias musicais nos anos 70. Todos os tipos de música progressiva floresceram por lá, embora pareça que a maior parte do material produzido esteja influenciado pela música clássica, é o que se esperaria de uma cultura tão acostumada a grandes Compositores!!. Mesmo assim, muita música estranha e sombria também surgiu dessa cena( cito aqui ANTONIUS REX, o qual farei uma matéria separada brevemente!!!),Alguns selos obrigatórios são Mellow Records, Vynil Magic e Black Widow Se você quiser conferir o histórico definitivo do prog italiano, visite o site de Augusto Croce dedicado ao prog italiano .Grupos como Gentle Giant, Genesis e E,L&P além do Van Der Graaf Generator eram ao mesmo tempo compartilhadas e cultuadas no país, mais que em qualquer outro local.Por causa da grande cultura artítica da Italia,Além de seu histórico e perfil na Música em geral.
ALGUMAS BANDAS ITALIANAS COM SEUS CLÁSSICOS (Compartilho a Resenha deste amigo) Felona_e_SoronaLe Orme – Felona e Sorona (1973) Este trio de teclados, baixo e bateria apresenta os vocais arrebatadores, à la Jon Anderson, do baixista Aldo Tagliapietra. A música se situa no extremo neoclássico, mas o que distingue a identidade da banda é a devoção a canções genuinamente melódicas que realmente ficam na cabeça, mesmo que estejam inseridas em uma suíte mais longa e complexa. Os álbuns posteriores apresentam canções mais curtas e pop, muito agradáveis, enquanto os primeiros álbuns são frequentemente obras conceituais. A história de Felona e Sorona é sobre dois planetas com personalidades muito diferentes! Não há conceito mais sofisticado do que esse. Geralmente considerado o álbum clássico da banda, é de fato um disco impressionante, com texturas espaciais de órgão e sintetizador, ritmos complexos, mas também algumas canções realmente belas. Música muito bem executada e interessante. METAMORFOSI- Inferno (1973) Um ótimo álbum de 1973 com influência do EL, &P P. Duas faixas longas baseadas no Inferno de Dante. Excelente trabalho com sintetizador Moog – pouquíssimas guitarras. Vocais em italiano,. O vocalista Jimmy Spitaleri tem um vocal impressionante operístico ( baixo) e faz as composições/toca os teclados sinfonicos. Goblin ( Claudio Simonetti) Com um som único, o Goblin é difícil de categorizar — , mas geralmente mantém uma sólida e sinistra atmosfera de prog instrumental, reforçada por um virtuosismo impressionante.Há experimentalismos avantgarde, efeitos sonoros em quantidade, muita criatividade, e São mais famosos pela trilha sonora de Suspiria, e vários filmes de Terror do cieneasta italiano Dario Argento( Mater Tenebrarum e Mater Lacrimarum) Simonetti é o tecladista, líder principal e compositor.nasceu em São Paulo (Brasil) mas cidadão italiano como muitos aqui (eu mesmo) Ele repartiu os trampos com o tecladista Keith Emerson que ficou tempos na Itália fazendo trilhas pra dario Argento também.Depois formou o grupo mais pesado e dark, o Daemonia. o qual tal qual Antonius Rex farei resenhas e materias separadas na parte deste BLOG "The Dusk Zone" NEW TROLLS ( UT & LIve) Eles são outra banda que fez a transição da era beat (originalmente chamados de Trolls - eles abriram os shows da última turnê dos Beatles). O Concerto Grosso dos New Trolls, de 1971, é um dos álbuns de prog rock mais vendidos da história do rock italiano, ainda disponível até hoje. Eles conseguiram misturar temas sinfônicos com guitarras elétricas distorcidas de uma forma que nenhum de seus contemporâneos conseguiu. A banda se dividiu após o lançamento do magistral álbum Ut, com o tecladista Vittorio De Scalzi levando a parte sinfônica para o NT Atomic System, Museu Rosenbach – Zaratustra (1973) Nada demonstra melhor a dimensão e a qualidade da cena italiana do que o fato de este álbum ser uma obra única de um grupo pouco conhecido. Apesar disso, muitos o consideram o melhor álbum de art-rock italiano de todos os tempos e um clássico internacional, e é fácil entender o porquê. Este álbum cru, agressivo e extremamente grandioso combina temas instrumentais de proporções celestiais com uma energia sombria e frenética, tão peculiar quanto o próprio Nietzsche. O principal atrativo reside na suíte que dá título ao álbum (que podemos presumir ser baseada na filosofia do autor), com 20 minutos de duração, que apresenta um dos refrões mais grudentos do prog rock, uma melodia absolutamente gigantesca tocada no volume máximo pelo mellotron. O vocalista do grupo é muito mais típico dos cantores italianos em geral do que o do Le Orme, com uma voz potente e rouca, mas estranhamente operística ao mesmo tempo. A maioria dos cantores de prog rock italiano soa assim — é como se o país inteiro fosse composto por essas pessoas talentosas! O resto do álbum é bom, mas você precisa ouvi-lo só por causa daquele tema principal incrível! Naquela época, a Itália era um lugar bastante radicalizado politicamente, com forte presença da esquerda, e um dos resultados musicais é agressivo da mesma forma (embora não no mesmo estilo) que o pesado (e gloriosamente pesado) Van der Graaf Generator, com as músicas transmitindo suas mensagens políticas martelando direto no seu crânio. Há também ótimas influências do Oriente Médio e da música eletrônica experimental presentes. Mas não era só isso — é uma viagem intensa! Bandas como BANCO, STORM SIX, LOCANDA DELLE FATE,etc...são magníficas.Museo Rosenbach é uma cacetada no vocal, na batera, nos mellotrons , hammond organ e guitarras.Uma obra prima! Il Rovescio della Medaglia – Contaminação (1973) Este não é um dos álbuns mais conhecidos, mas é umrada dos melhores. De todos os grupos, este e talvez o Latte e Miele foram provavelmente os que mais empregaram motivos clássicos — este álbum pega em trechos do "Cravo Bem Temperado" de Bach e os transforma em um rock progressivo extremo.Tudo é feito de forma belíssima, com alguns sons de teclado espaciais e melodias barrocas, Os vocais em várias partes também são muito bonitos . em termos sonoros É tudo bem misturado. E bem feito ! Banco del Mutuo Soccorso – Come in un'ultima cena (1976) O terceiro dos três grandes do prog italiano, Banco (cujo nome completo se traduz como "Banco de Assistência Mútua" ou algo parecido!), era liderado pelos vocais operísticos e pungentes de Francesco Di Giacomo, definitivamente dono de uma das vozes mais cativantes do rock. Assim como o PFM, o Banco del Mutuo Soccorso obteve algum sucesso fora da Itália. A banda se inspirou fortemente na música clássica e na ópera. Seu álbum mais famoso é Darwin,. É um conjunto muito digno de prog-rock elegante e dramático que mistura as influências mencionadas com alguns estilos renascentistas, um pouco de jazz e, claro, ótimos teclados de prog-rock e, de modo geral, um virtuosismo musical excepcional. Eu não diria que há nada particularmente distintivo no grupo que em alguns álbuns cria contra-pontos intrigantes como o Gentle Giant.E tem os vocais operísticos de Di Giacomo, música é muito, muito boa!!Conferindo o banco Di Terra com arranjos mais pomposos e sinfônicos. IL Balletto di Bronzo – ano (1972) Vocalista poderoso!! um trabalho napolitano de sucesso estrondoso. Este é um álbum lendário por sua inventividade alucinante e ferocidade (um álbum conceitual sobre o único homem restante na Terra). Após uma introdução vocal espectral de vanguarda e alguns riffs de órgão fortes, descobrimos por que este disco é tão famoso. Embora muitos dos temas utilizados sejam clássicos, a intensidade quando a banda entra em cena é simplesmente insana, amplificada por sintetizadores totalmente psicodélicos e solos de guitarra. Sem dúvida, o volume estrondoso era parte da razão de ser desta banda ! O tema principal da melodia vocal das duas primeiras faixas é como uma serpente sonora da Dimensão Desconhecida, assustadora, mas memorável. O álbum contém alguns interlúdios um pouco mais tranquilos, mas são curtos e geralmente servem apenas como transição para atingir os ouvintes novamente !! Talvez beirando um hard rock,ou proto-metal. PS: Conteúdos pesquisados de outros Sites aparecem aqui nesta matéria, misturados à minha própria transcrição e opinião releiturada.

MAGMA & CHRISTIAN VANDER (Zeuhl & Rock In Opposition na França)

MAGMA (França Avantgarde Music) Para resumir a música Erudita, EXperimental e Vanguardista ao m´ximo, esta banda sensacional tem o conteúdo nescessário para tal elucidação.Ela contém praticamente um pouco de cada elemento da música de vanguarda, e mais, ainda associa tud ao Jazz e ao Rock,e na Ópera.Tudo isto nas mãos do fabuloso baterista, compositor Christian Vander. Foi um grupo progressivo liderado pelo baterista/compositor/vocalista Christian VANDER que tem sido ativo no "período clássico" e no século XXI. A música do MAGMA é frequentemente categorizada como "Zeuhl" (que significa "celestial" ou "celestial" em Kobaïan, a própria língua do MAGMA). A banda não se encaixa claramente em nenhum outro subgênero progressivo, embora o avant-prog se qualifique, e tem uma veia significativa de fusão jazz-rock percorrendo a discografia. Além disso, o Magma tocou nos festivais RIO (Rock in Opposition), o que lhe dá certas credenciais RIO. Riffs giratórios em assinaturas de tempo estranhas, arranjos de coro teatrais, baixo pesado e distorcido pulsante, bombástico e minimalista (às vezes ambos ao mesmo tempo), sombrio e taciturno, aventureiro e angelical, jazzístico ou clássico, mas sempre com a bateria altamente inovadora e original do fundador e compositor principal Christian VANDER, essas são apenas algumas das maneiras de descrever a música do Magma. Embora a música do MAGMA seja adotada pelo movimento do rock progressivo, mesmo para padrões progressivos pode ser muito difícil de entender por causa de seu "som de outro mundo" e suas composições estendidas de muitas vezes mais de trinta minutos.MUitas vêzes atende mais ao público que aprecia música erudita de vanguarda. A banda supostamente não teve quase nenhuma conexão com outras bandas do gênero Prog, embora na França tenha se mostrado uma grande inspiração para outras bandas de Fusion e Zeuhl. Muitas vezes pensa-se que a música clássica moderna de Carl ORFF (por exemplo, Carmina Burana) deve ter sido uma grande influência no MAGMA. O próprio VANDER afirmou em várias ocasiões que sua principal influência foi o saxofonista de jazz John Coltrane. (*)Mas acredito que a maior influência foi Stravinsky,e basta ouvir as "Bodas" deste compositor para perceber que a intricada gama de vozes e percussão do Magma é básicamente derivada dele em especial(Nota do Autor) A lenda diz que o MAGMA foi formado depois que Christian experimentou um sonho envolvendo a visão de um futuro espiritual e ecológico para a humanidade. Essa visão influenciaria as três diferentes sagas de várias partes ( LPS) , a saber: - A saga Kobaïan (estreia e 1001 Centigrates), a triologia Köhntarkösz (Kohntarkosz Anteria ou KA, Köhntarkösz e Ëmëhntëhtt-Ré) e a triologia Theusz Hamtaahk (Theusz Hamtaahk, Mekanïk Destruktïw Kommandöh ou MDK e Wurd.) -
Foi em 1970 que o composto explosivo de um baixo cavernoso e uma batida martelante irrompeu de nossos toca-discos, enquanto uma voz sobrenatural cantava em uma língua misteriosa, o som inchando com riffs de guitarra incandescentes e a força total de uma seção de metais. Assim começou um primeiro álbum duplo, simplesmente intitulado Magma .Sua estranheza e força criativa significavam que o Magma nunca agradaria a todos, mas a estreia marcante do grupo parisiense imediatamente garantiu a eles um lugar na história da música. Vindos de origens musicais tão diversas quanto jazz, clássico, blues, rock e pop, os oito músicos fundadores tinham todo o talento necessário para dar vida a essa música única e visionária. Desde então, a banda passou por um fluxo quase constante de mudanças de pessoal, mas a lista de ex-alunos parece um quem é quem dos músicos franceses de alto calibre. Era tão comum que os músicos posteriormente lançassem suas carreiras como acompanhantes ou solistas que as pessoas às vezes se referem à escola de música Magma. Em 1973, Magma ganhou reconhecimento internacional com Mekanïk Destruktï Kommandöh . Produzido pelo excêntrico empresário Giorgio Gomelsky, esta suíte estendida de poder devastador lançou mais uma bomba musical. Os metais foram atenuados para dar ao coro, movido por um ritmo implacável, o lugar de destaque; este foi o primeiro álbum a apresentar a voz de Stella Vander. Entre 1974 e 1979, o grupo vivenciou seu período mais intenso de trabalho, tanto no estúdio quanto no palco: urdah Ïtah , um quarteto que forneceu a trilha sonora do filme Tristan et Iseult ; Köhntarkösz , um álbum dominado por sua sombria e majestosa peça-título. Üdü üdü foi o ápice da simbiose perfeita entre Christian Vander e Jannik Top, incluindo o lendário De Futura . Attahk, com design de capa do pintor surrealista suíço HR Giger, encerrou esse ciclo, junto com a magnífica gravação ao vivo do concerto de 1975, Magma Live. Depois de tirar um tempo para se concentrar em vários projetos relacionados (Christian Vander Trio, Offering, Les Voix de Magma) e para construir o arquivo “ao vivo” ( Konzert Zünd , um box set definitivo de 12 CDs lançado no Natal de 2015), Magma retornou em 1985 com Merci.O som do Magma tem momentos densos, obscuros, dramáticos, sinistros e tenebrosos .Muita complexidade nos contra-pontos(up tempo)vocais e rítmicos. As vêzes vai para algumas JAM Sessions, mas geralmente calcadas num "leitmotiv" preparado para que os músicos mantenham uma trama musical recorrente. Desde 1996, o MAGMA retorna aos palcos com um grupo de jovens músicos talentosos, tocando obras míticas do repertório dos anos 70, além de material novo, para um público composto principalmente por jovens.Atualmente são raras as apresentações e muito focadas, com um público ímpar e fervoroso. DISCOGRAFIAAnos 70) A Discografia é extensa!!! PS: NOTA- Muitos nomes estão na linguagem 'zeuhl" Kobaïan-desenvolvida e criada(e também cantada nos discos) pela genialidade de Christian Vander. Por isto não estranhem. 1970: Magma (reissued as Kobaïa) 1971: 1001° Centigrades (or Magma 2) 1973: Mëkanïk Dëstruktï Kömmandöh 1989: Mekanïk Kommandöh (archival, original version of Mëkanïk Dëstruktï Kömmandöh) 1974: Urdah Ïtah (originally Tristan & Iseult by Christian Vander) PS: Tristão & Isolda (peça de Richard Wagner referencial) 1974: Köhntarkösz 1976: Üdü üdü 1978: Attahk LISTA DE MÚSICOS QUE PARTICIPARAM DOS PROJETOS ( não é total,mas referêncial principal) -Violinist: Didier Lockwood -Guitarists: Claude Engel, Claude Olmos, Gabriel Federow, Marc Fosset, James Mac Gaw, Jean-Luc Chevalier (currently guitarist with Tri Yann ), Jim Grandcamp, Rudy Blas, Brian Godding. -Bassists: Jannick Top, Bernard Paganotti, Guy Delacroix, Francis Moze, Laurent Thibault, Michel Hervé, Dominique Bertram, Marc Éliard (currently bassist with Indochine), Philippe Bussonnet, Jimmy Top -Keyboardists: Benoît Widemann, Michel Graillier, Gérard Bikialo, Jean Luc Manderlier, François "Faton" Cahen (former leader of the group Zao), Guy Khalifa, Sofia Domancich, Patrick Gauthier, Simon Goubert, Pierre-Michel Sivadier, Jean Pol Asseline, Jean Pierre Fouquey, Frédéric D'Oelsnitz, Benoît Alziari (plus vibraphone and theremin), Emmanuel Borghi, Bruno Ruder, Thierry Eliez -Saxophonists: Teddy Lasry, Richard Raux, Alain Guillard, René Garber and Jeff "Yochk’o" Seffer -Trumpeters: Louis Toesca and Yvon Guillard -Male vocalists: Klaus Blasquiz, Christian Vander, Guy Khalifa, Antoine Paganotti and Hervé Aknin -Female vocalists: Stella Vander, Isabelle Feuillebois, Maria Popkiewicz, Liza de Luxe, Himiko Paganotti, Sandrine Fougère, Sandrine Destefanis, Sylvie Fisichella, Laura Guarrato -Drummers and percussionists: Christian Vander, Michel Garrec, Doudou Weiss, Simon Goubert, Clément Bailly, Claude Salmiéri, François Laizeau.

1968: Os 12 Meses que mudaram a História do Rock

The year is 1968. Incredibly, a momentous milestone in the history of Rock. Just as the Beatles ended their career with the marvelous album Abbey Road, new bands emerged that would become the biggest names in the genre of all time. Aside from that, the Beatles were responsible for almost every aspect of Rock. Lennon and Harrison were always frantically searching for the existential meaning of life. They went to India and stayed there for a long time as disciples of Master Prabhupada, a swami (master) who would later found the Hare Krishna Order in the West. Harrison became a profound devotee of this order (Bhakti Yoga) and helped the swami found several temples, both in India and in the West, including the great Radha Krishna temple in India. Starting with the LP Revolver, Harrison included sitars, tablas, and Hindu music, which from then on would play an important role in the development of the band itself, as well as directly influencing all future bands in psychedelia. Lennon, rebellious and sarcastic, a tireless pacifist, sought a deeper contact with the occult, knocking on the doors of the great magician Aleister Crowley. He even appears on the cover of the Sgt. Pepper's album, another great musical milestone for the band. Paul McCartney was always intellectual, more materialistic and focused on the group's arrangements. And Ringo was the catalyst. See the band's experiments in the classic film, "Let It Be," where everyone was practically under the influence of LSD. Each in their own way, but forming a whole that would be the marvel of Liverpool music. Going back to the newly formed bands in 1968, we have vocalist and guitarist John Fogerty, leader of Creedence Clearwater Revival, a band that basically made seven unforgettable albums, based on Blues, Country and basic Rock 'N' Roll. Also that year, the first devastating album by King Crimson, In A Court Of Crimson King, led by the eccentric guitarist, Robert Fripp, was released. It was a sonic devastation that few understood at the time.!!
O ano é 1968. Por incrível que pareça, um marco grandioso na história do Rock. Justamente quando os Beatles encerram a carreira com o maravilhoso álbum Abbey Road, surgem novas bandas que viriam a ser os maiores nomes do estilo em todos os tempos. Capítulo à parte, os Beatles foram responsáveis por quase todas as vertentes do Rock. Lennon e Harrison sempre estiveram loucamente atrás do sentido existencial da vida. Foram a Índia e lá ficaram por um bom tempo discípulos do mestre Prabhupada, um swami (mestre) que viria a fundar a Ordem dos Hare Krishna no ocidente. Harrison se tornou um profundo devoto desta ordem (Bhakti Yoga) e ajudou o swami a fundar vários templos, tanto na Índia quanto no ocidente, entre eles o grande templo Radha Krshna, na Índia. Harrison incluiu, a partir do LP Revolver, as cítaras, tablas e músicas hindus, que daí por diante teriam papel importante no desenvolvimento da própria banda, além de influenciar diretamente todas as bandas futuras no psicodelismo. Lennon, rebelde e sarcástico, incansável pacifista, procurou um contato mais profundo com o ocultismo, indo bater nas portas do grande mago Aleister Crowley. Este ainda aparece na capa do álbum Sgt. Peppers, mais um grande marco musical da banda. Paul Mcartney sempre foi intelectual, mais materialista e voltado para os arranjos do grupo. E Ringo foi o catalisador. Vide as experimentações da banda no filme clássico, “Let It Be”, onde todos estavam praticamente sob o poder do LSD. Cada uma na sua, mas formando um todo que seria a maravilha da música de Liverpool. Voltando as bandas recém formadas em 1968, temos o vocalista e guitarrista John Fogerty, líder do Creedence Clearwater Revival, banda que fez basicamente sete álbuns inesquecíveis, calcados no Blues, Country e no Rock 'N' Roll básico. Ainda esse ano sai o primeiro álbum estraçalhante do King Crimson, In A Court Of Crimson King, liderado pelo excêntrico guitarrista, Robert Fripp. Foi uma devastação sonora que poucos compreenderam na época. Também debutaram neste ano, o Genesis, com o álbum From Genesis To Revelation, lançando o alicerce do que viria a ser uma das maiores bandas de Progressivo e uma das mais imitadas nos anos 70; o Jethro Tull, com o álbum This Was, tendo a frente o flautista, vocalista, letrista, compositor e violonista, Ian Anderson. Uma banda prolífera, com uma sonoridade única que gerou uma vasta quantidade de álbuns. Temos o Led Zeppelin, do mestre dos vocais, Robert Plant, e do feiticeiro das guitarras, Jimmy Page, lançando o seu primeiro e devastador LP. Sendo ainda que em meios de 1967, já haviam sido lançados álbuns do Yes, Procol Harum, Pink Floyd e The Nice (banda de Keith Emerson, na minha opinião, o maior tecladista da estrada do Rock). Surgia ainda a maravilhosa e eclética banda inglesa Van Der Graaf Generator, liderada pelo maluco Peter Hamill, guitarrista, compositor e tecladista, além de ter os vocais altamente sofisticados. Seu primeiro álbum, Aerosol Grey Machine, é obrigatório. Todas essas bandas mudariam o comportamento social mundial, dando origem ao movimento reacionário dos "hippies", os grandes festivais como o Woodstock e a maior e melhor fase da história do Rock. Não pretendo dar nesta coluna uma ordem cronológica dos acontecimentos, mas sim, alertar aos leitores da enorme quantidade, qualidade e importância que foram os anos 60 e 70 para a arte geral do século XX. Neste período, compreendido entre 67 e 70, brotavam bandas fantásticas, cada uma com sua performance e estilo. Cito ainda a alemã Popol Vuh, os Rolling Stones, Tangerine Dream, Ash Ra Tempel, Traffic, The Monkeys, The Birds, Shocking Blue, Frank Zappa, entre outros que, no decorrer da Universom, falaremos um pouco sobre. O que acontecia neste período era uma competição sadia entre os cabeças das bandas, para ver quem fazia o melhor e mais sofisticado som. Cada dia surgia um novo som que explodia nas rádios, TVs e revistas especializadas. Além do Keith Emerson ter testado o primeiro sintetizador moog para seu criador, Robert Moog, aparecia outra banda que faria do mellotron (teclado que imitava e reproduzia perfeitamente os sons de violinos, cellos, flautas e vozes humanas) seu instrumento principal, o Moody Blues. O legal nisso tudo, eram fatos que aconteciam todos os dias criando uma atmosfera mágica, linda e onírica. Me lembro quando o Guess Who (banda canadense) lançou em 70 o hit "American Woman". Todo mundo pensou que se tratava de um novo álbum do Led Zeppelin. Outros argumentavam que era o Creedence, devido a grande semelhança dos timbres vocais dos três. Também o The Who, que já estava arrebentando nas paradas, lança o polêmico álbum Who's Next, onde os membros da banda apareciam urinando numas ruínas. Por sinal, este é o melhor e mais sofisticado trabalho deles. Tinha ainda o Sweet, com vocais e pegadas muito semelhantes ao Led Zeppelin. O Atomic Rooster fazia misérias com o tecladista piloto de órgão hammond, Vincent Crane, uma lenda. Desta banda sairia o baterista Carl Palmer, futuro batera do Emerson, Lake e Palmer. Bem, vocês me perguntariam: e no Brasil, o que rolava? Caras, aqui rolava muita coisa boa: O Terço, Mutantes, Som Imaginário, Barca Do Sol, Som Nosso De Cada Dia, Terreno Baldio, Tellah, etc... Aqui vou enfocar o básico, um marco no Brasil. Se trata do Mutantes, lançando em 1968 seu primeiro álbum de mesmo nome. Caras, foi uma overdose! Os músicos eram altamente inovadores, com uma sonoridade única! Revolucionaram a música brasileira e fundaram junto com Gil, Caetano e outros, a Tropicália, um grandioso momento na nossa arte. Pasmem, Rita Lee era vocalista e flautista da banda. Arnaldo Baptista, um tecladista experimentador com uma voz feroz. Sérgio Baptista, seu brother, um guitarrista afiado com uma voz melodiosa. Para completar, tinha um grande baterista, Rui Motta. Seus álbuns seguintes foram obras primas, e em muitas vezes (pasmem novamente), superando os próprios Beatles em criatividade. Pode ser uma heresia, mas sei bem o que digo ouvindo seus trabalhos que hoje estão disponíveis masterizados em CD, no mercado independente. O triste disso tudo é ver a cara de "bosta" do povão assistindo e reprovando a banda num clássico especial ao vivo filmado na Rede Cultura. Os caras detonando no palco e a platéia morta de medo e repressão assistindo tudo aquilo meio "passados". Como vocês acham que estava o Brasil nesta época? Como todo mundo estava? Reprimidos, sufocados por guerras, problemas graves econômicos e muita estupidez. Tudo isso explodiu na música. Tivemos a Jovem Guarda com Roberto Carlos liderando a audiência. Foi excelente, pois inúmeras bandas se apresentavam neste programa, incluindo o famoso The Jet Blacks. Depois, Roberto broxou... Mas deu seu recado e marcou o movimento do Rock no Brasil. Aqui, nesta época, era difícil andar pelas ruas com cabelo comprido e roupas coloridas, pois a polícia parava, dava batida geral e muitas vezes agrediam as pessoas sem motivos. Nas escolas éramos as ovelhas negras. Em casa, os nossos pais não nos aceitavam. Eu, como músico, sei bem o que foi viver nessa época cheia de contradições. Mas, no todo, era muito melhor que hoje, pois havia mistério, menos poluição no ar, muita magia musical e a literatura era uma obrigação entre os freqüentadores de bares e porões Rockers underground. A literatura nunca esteve tão em alta quanto neste período. Carlos Castañeda, Edgar Allan Poe, Dante, Fernando Pessoa, Lobsang Rampa, Chiang Sing, Prabhupada, Osho e toda a sorte de literatura dramática, ocultista e com filosofia oriental, eram as bases do Rock 60 e 70. Tudo isso era mal compreendido no Brasil, como no festival da Canção (FIC), onde Walter Franco quebrou um violão e jogou na platéia que o vaiava porque não entenderam sua música intitulada "Cabeça". Walter fez um disco clássico do Rock brasileiro chamado Vela Aberta. Os Mutantes apareciam muitas vezes como banda de apoio de Gilberto Gil. Ainda, Geraldo Vandré, seqüestrado pelo militarismo, desapareceu durante anos por causa de sua linda música "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores". Era muito difícil conciliar dois mundos em conflitos... o nosso, dos jovens, e o dos nossos pais, com conceitos quebrados, arcaicos, reprimidos. Mas isso será assunto para nossa próxima edição. Até lá, escutem um hino a liberdade, a música "Sweet Freedom", do Uriah Heep. Nos encontramos por ai...

PAINT &BLUE (Rolling Stones Blues Tribute)

o "Blues" por trás de Paint It Blue: Songs of the Rolling Stones
Apesar do CD dizer que não se trata de um "tributo" é um tributo de formato "Blues" feito por vários cantores e músicos atuais de "Blues" mostrando a influência da banda no estilo.Se bem que Rolling Stones é rock,tem influências de folk & country europeu, música indiana (era Brian Jones) e outras mistas. Os Stones nunca esconderam sua influência do blues, então faz sentido que suas músicas soassem bem interpretadas por artistas de blues e R&B. Essa é a proposta de Paint It Blue: artistas contemporâneos de blues e R&B cantam algumas das canções mais blues da banda. Embora alguns possam argumentar que a ideia é um pouco piegas demais, as performances de Luther Allison ("You Can't Always Get What You Want"), Junior Wells ("(I Can't Get No) Satisfaction"), Taj Mahal ("Honky Tonk Women"), Clarence "Gatemouth" Brown ("Ventilator Blues"), os Holmes Bros. ("Beast of Burden") e Bobby Womack ("It's All Over Now"), entre muitos outros, Eu particularmente adoro Blues , é um disco para amantes do gênero, e do Rock primordial também.As releituras das músicas de Keith Richards & Mike Jagger são ótimas, soam bem gravadas, muito feeling, com arranjos(algumas) bem próximos ao rock anos 60-70- .Neste Video , SATISFACTION aparece muito próxima ao som do CREEDENCE CLEWATER REVIVAL !!! Nota 10.
CD ANO LANÇAMENTO- 1997

quinta-feira, 4 de junho de 2026

ROCK: ONTEM & HOJE

Nas edições prévias desta coluna nós falamos muito sobre as bandas e cultura em geral do cenário roqueiro durante as décadas de 60 e 70. Porém, pouco falamos do fã de Rock durante estas décadas. Como eram os fãs; o que faziam; como conseguiam material; enfim, creio que os leitores mais jovens têm muitas dúvidas sobre como as coisas funcionavam há 30 ou 40 anos atrás. Desta forma, para melhor compreender como eram as décadas de 60 e 70 para um fã de Rock, resolvi pegar as dúvidas mais freqüentes e transforma-las numa espécie de f.a.q. (frequently asked questions – questões freqüentemente perguntadas) e tentar traçar um panorama geral de como eram as décadas passadas para quem curtia Rock ‘N’ Roll. Confira. Quais foram as principais bandas que tocaram no Brasil durante as décadas de 60 e 70? Vieram muitas bandas famosas, mas a grana era curta, havia muita repressão e nós, rebeldes adolescentes, apesar da dita liberdade, éramos constantemente vigiados pelos pais. Eu assisti a quatro grandes shows que foram um marco para todos aqui no Brasil como o Passport (Alemanha), Jean-Luc Ponty (França), Rick Wakeman com seu magnífico “Viagem ao Centro da Terra”, em São Paulo, e o melhor de todos, o Genesis (sem o Peter Gabriel), que também rolou em São Paulo, com uma lotação de 60 mil pessoas. Como reagiam os fãs de Rock frente aos novos lançamentos de vanguarda como os primeiros discos do Black Sabbath ou Motörhead, por exemplo? As coisas iam acontecendo e o pessoal já ia assimilando. Uns gostavam e outros demoravam um pouco mais para assimilar o novo som. Mas em geral todo mundo curtia. Menos a maior parte dos pais, que achavam que o Rock era um barulho insuportável. No caso do Black Sabbath, houve um impacto forte na mídia. Interferiu diretamente no comportamento dos jovens, tanto no aspecto social, quanto religioso. O som era místico e despertou muita curiosidade entre os roqueiros. Haviam lojas especializadas que vendiam LPs, camisetas e demais materiais de merchandising? Sim, mas eram em pontos específicos. Em Campinas/SP, tínhamos as Livrarias Brasil e Teixeira, além da famosa Raposa Vermelha (com novidades vindas da Europa e EUA). Em São Paulo, a Galeria do Rock era o centro geral. O material era farto, mas muito caro. Haviam locais específicos para ponto de encontros de roqueiros durante estas décadas? Em Campinas os roqueiros se reuniam nos bares City Bar e Paulistinha. Mas havia muitas festas em chácaras da periferia com muito som e curtição. Nos centros urbanos, aos finais de semana, rolavam muitas festas da pesada em casas de família, abertas a todos. O que hoje seria impossível devido ao marginalismo. Como a sociedade encarava os cabelos longos, as roupas extravagantes e, principalmente, o som? Com muita reserva. Para vocês terem uma idéia, numa escola de segundo grau onde estudei, só tinha cinco caras com cabelos compridos (eu era um deles) e éramos isolados, mal vistos e recriminados por qualquer razão. Mas no nosso meio (gangues) a coisa rolava maravilhosamente. Mas havia muitos babacas jovens também. As brigas eram poucas e quando rolavam eram entre gangues barra pesada com facas, correntes e pedaços de paus. Raramente revólveres. Quais seriam as diferenças básicas entre roqueiros do passado e os atuais? Estamos em outra sociedade. Nos anos 70 o papo geral era o ocultismo, as viagens lisérgicas, os OVNIs, as plantas de poder, etc. As preocupações maiores eram a Bomba H e a ecologia, e também a vida pós-morte, bem como a filosofia oriental. Os movimentos eram calcados mais na metafísica e no hinduísmo ou a crença na reencarnação, trazida pelo recente movimento hippie e pelos Beatles com seus gurus. Tanto que se você olhar para as roupas coloridas dos anos 60 e 70 verão claramente que foram inspiradas pelos hindus. O lance místico era ter visões, viajar com as plantas e LSD para depois trocar informações, fazer um som nas montanhas, nadar nu e chapado nas cachoeiras, deitar e ficar olhando para as estrelas durante horas. Foram décadas maravilhosas onde tínhamos mais liberdade que hoje, apesar de parecer o contrário. Hoje há muitos muros, muitas cidades, fios, casas, menos montanhas e árvores. Há muita gente acumulada nos grandes centros, muitos bandidos e marginalidade. Ninguém sai mais de casa para ficar deitado numa montanha sem ter medo de ser assaltado. O materialismo está no seu ápice e a parte espiritual em baixa. O ser humano se acomodou em ter muita coisa, mas deixou de “ser” algo. As rádios e TVs tocavam muito mais sonzeira que hoje, pois naqueles tempos só haviam coisas boas. Hoje as rádios e TVs só apresentam enlatados fúteis e idiotas. Se o pessoal não reagir contra esse lixo todo, então amigos, não haverá mais tempo nem nada para dizer às gerações futuras. In previous editions of this column, we talked a lot about the bands and culture in general of the rock scene during the 60s and 70s. However, we talked little about the rock fan during these decades. What were the fans like; what did they do; how did they get material; in short, I believe that younger readers have many questions about how things worked 30 or 40 years ago. Therefore, to better understand what the 60s and 70s were like for a rock fan, I decided to take the most frequent questions and turn them into a kind of FAQ (frequently asked questions) and try to draw a general overview of what the past decades were like for those who enjoyed Rock 'N' Roll. Check it out. What were the main bands that played in Brazil during the 60s and 70s? Many famous bands came, but money was tight, there was a lot of repression, and we, rebellious teenagers, despite the so-called freedom, were constantly watched by our parents. I attended four great shows that were landmarks for everyone here in Brazil: Passport (Germany), Jean-Luc Ponty (France), Rick Wakeman with his magnificent "Journey to the Center of the Earth" in São Paulo, and the best of all, Genesis (without Peter Gabriel), which also took place in São Paulo, with a sold-out crowd of 60,000 people. How did rock fans react to new, avant-garde releases like the first albums by Black Sabbath or Motörhead, for example? Things were happening, and people were already assimilating them. Some liked it, and others took a little longer to assimilate the new sound. But in general, everyone enjoyed it. Except for most parents, who thought rock was unbearable noise. In the case of Black Sabbath, there was a strong impact on the media. It directly interfered with the behavior of young people, both socially and religiously. The sound was mystical and aroused a lot of curiosity among rock fans. Were there specialized stores that sold LPs, t-shirts, and other merchandise? Yes, but they were in specific locations. In Campinas/SP, we had Livrarias Brasil and Teixeira, in addition to the famous Raposa Vermelha (with new items from Europe and the USA). In São Paulo, Galeria do Rock was the general center. The merchandise was plentiful, but very expensive. Were there specific meeting points for rock fans during these decades? In Campinas, rock fans gathered at the City Bar and Paulistinha bars.