GURDJIEFF E A ORDEM "O QUARTO CAMINHO"
Eu mesmo estudei durante uns 10 anos, paralelo à música, teosofia, filosofia oriental e física quântica, os Ensinamentos de Gurdjieff.Difíceis, focados, que exigem a auto-atenção 24 horas.Não é um caminho para a maioria.Não é religião, mas um sistema de auto-conhecimento metódico, focado em leituras, práticas da arte e filosofia existencial.
Seguem abaixo os impressionantes filmes de Danças Sagradas que ele deixou sacramentados junto com música escrita para a posteridade.Algo sobrenatural e acima de artes comuns as quais estamos acostumados a digerir. Eu teria muito mais a falar sobre Gurdjieff, mas as palavras seriam poucas e não o descreveriam tal qual foi em sua estranha existência.
Alguns músicos de Rock seguiram seus ensinamentos, sendo um dos mais famosos o guitarrista ROBERT FRIPP (King Crimson).
BIO
Não existe e provavelmente nunca existirá uma biografia definitiva de Gurdjieff . Nasceu em Alexandropol, por volta de 1866, e aparece pela primeira vez às claras em 1912 em Moscou. Encontrá-lo era sempre um teste: o primeiro encontro — certamente para os que se tornaram seus discípulos — passava a ser o eixo que marcava a mudança de suas vidas inteiras;Faleceu em 29 de outubro de 1949,Hospital Americano em Neuilly-sur-Seine, França
O compositor Thomas de Hartmann (1886-1956) e sua esposa Olga foram discípulos íntimos e companheiros de Gurdjieff durante doze anos, e é graças a ele que a música de Gurdjieff nos alcançou. No Livro (Nossa Vida com Gurdjieff) compartilham conosco a viagem que compartilharam com ele: de Petrogrado, tomado pela crise de 1917, pelas montanhas do Cáucaso até Tíflis, chegando finalmente a Paris em 1922. Uma simplicidade às vezes beirando a ingenuidade caracteriza seus escritos, mas a impressão de Gurdjieff é o que há de mais notável.
Em outubro de 1922, Gurdjieff ocupou o Prieuré em Fontainebleau-Avon, um castelo em terreno de 200 acres 9França) ; aí criou rapidamente condições para o auto-estudo, algo sem precedentes na Europa. Gurdjieff teve um relacionamento especial com os filhos de seus alunos, cuidando de sua educação no real sentido da palavra. Às vezes os desafiava; às vezes os conduzia com grande delicadeza a um insight vital; seu ensinamento sempre trazendo um elemento de surpresa e a marca da praticidade. Entre onze e quinze anos, Fritz Peters (1913-1980) viveu no Prieuré
Gudjieff ensinava baseado nas danças Sagradas e Música,com impressionantes e complexos movimentos ,os quais aprendeu de seus Mestres no Oriente, o Mosteiro dos Sarmongs(Abelhas)
Thoams Hartmann era um pianista consagrado que desenvolveu e escreveu as peças para piano de Gurdjieff, sendo um de seus discípulos citados acima.Se conheceram na URSS antiga, São Petersburgo.
GURDJIEFF & SARMONGS( Fraternidade Oculta Dervixe )
Na primavera de 1924, Gurdjieff visitou os EUA com alunos preparados para dar demonstrações públicas de suas danças sagradas; e sua influência sobre intelectuais importantes foi de longo alcance. As danças também falaram categoricamente ao jovem inglês Stanley Nott (1887-1978), que tinha uma formação diferente, mais simples; que havia viajado pelo mundo dedicado a vários tipos de comércio, e cujos sentimentos tinham sido amortecidos por sofrimentos nas trincheiras. “Aqui”, escreveu Nott, “está o que eu havia ido procurar nos confins da terra”. Sua aceitação de Gurdjieff provou ser duradoura e íntegra; passou muitos verões no Prieuré, e em Teachings of Gurdjieff (Ensinamentos de Gurdjieff) transmite tanto sua experiência interior com um vigor boswelliano. Ele incorpora perfeitamente o penetrante (embora não definitivo) comentário de seu amigo A.R. Orage sobre o livro Belzebu, de Gurdjieff.
Gurdjieff dedicou a década de 1925 a 1935 a seus escritos, realizados em condições de alta distração no Café de la Paix. Aí o encontrou, na primavera de 1932, a escritora americana Kathryn Hulme (1900-1981) após atingir a fama com seu romance The Nun’s Story (A História de uma Freira); ela queria muito tornar-se aluna pessoal dele, mas quase quatro anos se passaram antes que sua persistência fosse recompensada. Sua autobiografia, Undiscovered Country (País não descoberto), evoca ricamente sua experiência em um grupo especial de quatro mulheres (todas sofisticadas, de vanguarda e solteiras — e algumas francamente lésbicas) que se reunia diariamente no apartamento de Gurdjieff na rua Labie. Seu estilo é, por um lado, açucarado e, por outro, vibrante. A humanidade de Gurdjieff e sua capacidade para trabalhar com diversos tipos de pessoas são fortemente retratadas, assim como o compromisso emocional de cada um do grupo entre eles e com seu instrutor. Esse pequeno grupo foi denominado “A Corda”, para nunca esquecerem sua interdependência na ascensão.
Impelido a fugir de Paris antes dos alemães chegarem em 1940, Gurdjieff preferiu permanecer em seu modesto apartamento à rua Colonels-Renard, nº 6. Embora já em seus setenta anos, ele era magnânimo em suas energias: dando aconselhamento individual; ensinando uma nova série de danças ou Movimentos na Salle Pleyel; e mantendo de alguma maneira, nesses tempos de escassez, a hospitalidade patriarcal de seus audaciosos banquetes.
O interesse dos franceses em Gurdjieff — antigamente fraco — agora germinava, atraindo para ele muitos intelectuais, entre eles o diretor de cinema René Zuber (1902-1979). Seu pequeno volume Who Are You Monsieur Gurdjieff? (Quem É Você Senhor Gurdjieff?) é uma meditação tranqüila e meticulosa: confrontando o enigma de Gurdjieff e profundamente interessado em situá-lo em relação ao Cristianismo, Zuber é repetidamente levado a se questionar.
Quinze meses antes da morte de Gurdjieff, J.G. Bennett (1897-1974), que o havia conhecido brevemente nos anos vinte, estabeleceu um contato mais sério — embora inevitavelmente intermitente. Elizabeth Mayall (1918-1991), que depois se tornaria esposa de Bennett, estava livre para morar em Paris a partir de janeiro de 1949, e assim compartilhou mais completamente o mundo sem igual da rua Colonels-Renard. Aí, nas últimas ceias de Gurdjieff, seu misterioso ritual de “Brinde aos Idiotas” serviu como veículo para um ensino final e intensamente individual. Idiots in Paris (Idiotas em Paris), os diários originais dos Bennetts, captura com precisão e uma honestidade quase dolorosa os últimos cem dias da vida de Gurdjieff, e a pungente luta de seus alunos pela compreensão. Gurdjieff morreu em Neuilly, no dia 29 de outubro de 1949.
O Ensino
Então, o que são exatamente os Ensinamentos de Gurdjieff?Conhece-te a ti mesmo, ao qual acrescenta uma metafísica, uma metapsicologia e uma metaquímica que desafiam absolutamente qualquer definição; uma tipologia humana, uma fenomenologia da consciência, e uma escala quase matemática que liga o macrocosmo e o microcosmo. O Homem é um autômato.O que ele diz num minuto, no minuto seguinte já não se lembra!
Movimentos e danças sagradas eram ao mesmo tempo um símbolo das leis universais e um campo para a busca individual. Quando, chegando aos sessenta, ele se dedicou a escrever, suas produções eram heurísticas em vez de expositivas, e sua forma totalmente inesperada: primeiro uma epopéia cosmológica muito especial, depois uma autobiografia muito especial.
O livro de próprio punho de Gurdjieff(Contos de Belzebu a seu Neto) é a obra-prima ,e nenhum outro livro nos aproxima mais dele. Leitores capazes de enfrentar o duplo desafio de sua profundidade e sua difícil e totalmente intencional estilística; de sustentar a fina atenção necessária ao decorrer da leitura — acharão aí codificadas todas as idéias psicológicas e cosmológicas de Gurdjieff, e uma crítica fundamental.
LIVRO INDICADÍSSIMO:
Em seu livro seguinte, (Encontros com Homens Notáveis), Gurdjieff evoca o primeiro e menos conhecido período de sua própria vida: sua juventude em Kars, sob a influência benigna de seu pai e de seu primeiro tutor, o Decano Borsh; depois o início de sua maturidade, com muitos disfarces, dedicado à busca constante de um conhecimento real e universal. Sua linguagem é simples e vívida, descrevendo-nos as terras da Transcaucásia e da Ásia Central, mesmo quando se refere à geografia paralela da psique de Homem e à rota que seguiu para penetrá-la.A cena da dança acima é do filme.Foi escrito por P.D.Ouspensky, seu mais acurado discípulo.
OUSPENSKY
Entre os anos 1915 e 1918, Gurdjieff deu prodigamente a seus grupos russos um corpo surpreendente de dados exatos que lhe haviam custado vinte anos para encontrar. Proeminente entre os alunos neste momento era Piotr Demianovich Ouspensky (1878-1947), jornalista, matemático e intelectual; já famoso por seu livro Tertium Organum. Essa mesma época, com sua destruição de massa e selvagens contradições, afiou a fome vital de Ouspensky por valores e conhecimentos de uma ordem diferente. In Search of the Miraculous (Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido) foi publicado postumamente; consiste, em três quartas partes, das próprias palavras de Gurdjieff, preservadas desses dias e brilhantemente organizadas. Endossado pelo próprio Gurdjieff, este trabalho oferece indubitavelmente a descrição mais acessível de suas idéias psicológicas e cosmológicas, levando-nos tão próximo das condições especiais de um grupo quanto qualquer livro sozinho poderia. A opressiva sensação de choque, excitação e revelação que atingiu Ouspensky em 1915 será transmitida por essas sentenças e diagramas às pessoas de todas as gerações que estejam secretamente em busca, quaisquer que sejam as condições externas com que precisem conviver.
Jeanne de Salzmann tornou-se aluna de Gurdjieff em Tíflis, em 1919, e por trinta anos participou de cada fase sucessiva de seu Trabalho, até mesmo assumindo responsabilidade pelos grupos durante os últimos dez anos da vida dele. Em Gurdjieff Fala a Seus Alunos, ela compilou mais de quarenta palestras importantes dadas por Gurdjieff entre 1917 e 1930. Devemos sua preservação às recordações disciplinadas de seus seguidores, que haviam sido proibidos de tomar notas literalmente. Se essas não forem as palavras de Gurdjieff sílaba por sílaba, são certamente sua voz autêntica, emitindo seu inconfundível desafio.
Abordagens a Gurdjieff
Ninguém — seja respondendo a Gurdjieff ou reagindo contra ele — pode medir a voltagem de seu intelecto sem receber um certo choque. Sua voz é uma das poucas vozes eficazes que, “passando por uma grande diversidade de ecos, mantém sua própria ressonância e seu poder de ação” . Então, ouçamos brevemente alguns relatos, “abordagens”, redeclarações temáticas e líricas — reconhecendo-as pelas reverberações, e ainda afirmando sua legitimidade profunda em uma tradição viva, confiada a homens vivos.
Depois de quatro anos como um dos alunos próximos de Gurdjieff, P.D. Ouspensky expôs suas idéias na Inglaterra e na América durante um quarto de século. Em The Psychology of Man’s Possible Evolution (A Psicologia da Possível Evolução do Homem), ele extrai a essência psicológica do Ensinamento integral de Gurdjieff, apresentando-a sem sabor ou aroma, em apenas 92 páginas. Essa formulação, baseada em notas de conferências de Ouspensky, é tão lúcida e equilibrada que promete permanecer incomparável para sempre, como uma introdução e um aide-mémoire.

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